O uruguaio Sebastián Marset, 34 anos, apontado como chefe do Primeiro Cartel Uruguaio, foi preso na Bolívia e transferido de avião para os Estados Unidos na última sexta-feira (13).
A operação foi confirmada pelo ministro do Interior boliviano, Marco Antonio Oviedo, que garantiu que ninguém foi morto ou ferido durante a ação.
A DEA não participou da prisão, mas coordenou a transferência do traficante aos EUA — em meio à retomada recente da cooperação entre as duas nações.
Marset é procurado no Paraguai e na Bolívia por acusações de crime organizado ligadas ao tráfico de cocaína entre países sul-americanos e a Europa. Nos Estados Unidos, responde por indiciamento por lavagem de dinheiro, segundo o Departamento de Estado americano.
O Primeiro Cartel Uruguaio, que ele supostamente lidera, é considerado uma das organizações mais proeminentes do Cone Sul, com ramificações no mercado europeu de drogas.
Bolívia retomou cooperação com a DEA antes da operação
A Bolívia havia retomado a cooperação com a DEA pouco antes da prisão — parceria que foi determinante para viabilizar a entrega de Marset às autoridades americanas.
O irmão de Sebastián, Diego Nicolás Marset, também tem passagem pela Justiça. Ele foi preso no Brasil em 2023, em uma operação que reuniu agências do Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai, sendo apontado como um dos fugitivos mais procurados da América do Sul pela Interpol.
A prisão ocorre em um momento geopolítico significativo para a América Latina. Dias antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou o chamado Escudo das Américas, uma coalizão anticartel envolvendo aliados conservadores da região.
A Bolívia retomou a cooperação com a DEA exatamente nesse contexto — e a agência foi responsável por coordenar a transferência de Marset ao território norte-americano. A operação é um desdobramento direto da nova estratégia anticartel liderada por Washington na América Latina.
Com a captura, os EUA ganham acesso a uma figura central em investigações sobre redes que conectam o Cone Sul ao mercado europeu de drogas — um dos principais alvos declarados da política de segurança da administração Trump.