O Banco do Brasil formalizou ao Tribunal de Contas da União que não tem nenhum interesse em assumir o controle do Banco de Brasília. O documento foi enviado na quarta-feira, 11 de março, em resposta a um pedido do ministro Bruno Dantas.
No ofício, o BB assegura não ter estudos, notas técnicas, grupos de trabalho, deliberações internas ou qualquer ato preparatório com a intenção de federalizar o BRB.
O pedido partiu do ministro Bruno Dantas em fevereiro, com prazo de 15 dias para que Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES e Ministério da Fazenda informassem se chegaram a cogitar ou analisar a possibilidade de federalização do BRB. Até o momento da publicação, apenas o BB havia respondido.
Os rumores sobre uma possível aquisição surgiram no rastro da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, que revelou irregularidades nas transações do BRB com o Banco Master. A fragilidade patrimonial que motivou os rumores de federalização começou quando o BRB absorveu mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Master com indícios de fraude — operação que levou Fitch e Moody’s a rebaixar o banco para ‘CCC’, o maior risco antes do calote. Leia mais sobre os quatro riscos enfrentados pelo BRB após herdar o portfólio do Master.
Como alternativa à federalização, o conselho do BRB propôs emitir até 1,68 bilhão de novas ações para levantar até R$ 8,86 bilhões em assembleia marcada para 18 de março. Entenda a proposta de capitalização do BRB para sanar o rombo do caso Master.
O desfecho importa além das finanças: uma eventual federalização retiraria o governo do Distrito Federal da condição de acionista controlador do BRB — posição que o GDF ocupa há décadas.
Ao abrir o processo, Bruno Dantas justificou a medida pela “materialidade potencial elevada” dos valores envolvidos e pelo “risco de efeitos relevantes sobre o patrimônio público federal”. O ministro reconheceu, porém, que o subprocurador Lucas Furtado, responsável pelo pedido, não apresentou nenhum ato administrativo que confirme intenção concreta do governo federal de assumir o BRB.
Ainda assim, Dantas apontou que operações de reestruturação bancária costumam se formar de forma rápida e sigilosa, por etapas — o que justificaria a cautela do TCU mesmo sem evidências formais.
O único sinal público de interesse partiu de Rogério Ceron, secretário do Tesouro e presidente do Conselho de Administração da Caixa, que em 25 de fevereiro afirmou monitorar o BRB como possível “oportunidade de negócio”. A Caixa, porém, ainda não havia respondido ao TCU.
Antes mesmo do pedido do TCU, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, já havia descartado publicamente tanto a liquidação quanto a federalização ao apresentar o plano de recuperação baseado em imóveis públicos do DF. Veja como o BRB aposta em fundo imobiliário para superar a crise bilionária.