O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que empresas de transporte naval continuem navegando pelo Estreito de Ormuz e ignorem o bloqueio do Irã — mesmo após a Guarda Revolucionária Iraniana atacar pelo menos seis navios em dois dias consecutivos.
Nesta quarta-feira (11), três embarcações foram atingidas por projéteis na região; na terça, outros três foram alvejados, incluindo um tailandês que pegou fogo, com três tripulantes desaparecidos.
Ataques e resposta militar americana
A agência marítima britânica UKMTO registrou 14 incidentes contra navios desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Nesta quarta, um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por projéteis; a agência francesa AFP relatou ainda um quarto navio alvejado, sem detalhes confirmados até o fechamento da reportagem.
Em resposta, as Forças Armadas dos EUA anunciaram na terça a destruição de 16 navios iranianos usados para instalação de minas próximo ao estreito. O Centcom divulgou imagens das operações contra essas embarcações, que Trump usou para justificar a ação e reforçar o discurso de controle americano na região.
A escalada era previsível: Trump já havia ameaçado responder ao Irã vinte vezes mais forte caso o país bloqueasse o estreito. O ultimato se intensificou após a inteligência americana detectar minas iranianas sendo posicionadas na área, culminando na destruição das 16 embarcações.
Petróleo em alta e alarme energético global
O Estreito de Ormuz é passagem obrigatória para 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. O bloqueio derrubou bolsas europeias e impulsionou os preços da commodity: o barril de WTI se aproximava de US$ 88 (+6%), enquanto o Brent superava US$ 92 (+5%).
A Agência Internacional de Energia (AIE) avalia recorrer às reservas estratégicas de petróleo — medida considerada extraordinária. Os líderes do G7 devem se reunir por videoconferência nesta quarta para discutir o abastecimento energético, segundo o ministro francês da Economia, Roland Lescure.
Risco econômico pode superar a margem de lucro
Especialistas do Soufan Center, organização de segurança sediada em Nova York, alertam que os riscos já podem tornar uma única travessia pelo estreito mais cara do que a margem de lucro da própria carga de petróleo transportada. O arsenal iraniano de minas — estimado entre 2.000 e 6.000 unidades — complicaria qualquer operação de escolta naval de larga escala.
EUA e países europeus estudam enviar navios de guerra para proteger embarcações comerciais no estreito. Trump ameaçou o Irã com consequências militares de um nível nunca antes visto caso novas minas sejam instaladas na área.
Conflito se expande pelo Golfo e além
Os ataques iranianos ultrapassaram o estreito. Explosões atingiram Doha; drones caíram perto do aeroporto de Dubai, ferindo quatro pessoas; a Arábia Saudita derrubou drones que seguiam ao campo de petróleo de Shaybah e interceptou mísseis direcionados a uma base americana.
O Irã também disparou mísseis contra Israel na madrugada desta quarta, deixando feridos próximos a Tel Aviv. No Líbano, 570 pessoas morreram e quase 760.000 foram deslocadas desde que o Hezbollah entrou no conflito regional em 2 de março.
No front americano, o FBI alertou a polícia da Califórnia sobre possível ataque iraniano com drones à costa do estado — retaliação cujos detalhes seguem sem confirmação oficial. Trump afirmou não estar preocupado com ofensivas em solo americano.