O plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou por unanimidade o pedido de suspeição contra o ministro Jhonatan de Jesus, que permanece como relator do processo sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master.
O afastamento havia sido pedido por organizações da sociedade civil, que alegaram vínculos políticos e supostas irregularidades na conduta do ministro — acusações consideradas improcedentes pelo tribunal.
As organizações apresentaram três linhas de argumentação. A principal sustentava que Jesus teria um “padrinho político” com interesses diretos no caso Master. Também foram citadas supostas transferências de recursos para construção de casas populares em Roraima sem a devida prestação de contas, além de um veículo de familiar do ministro apreendido em operação da Polícia Federal ligada ao INSS.
O relator ainda rebateu a alegação de “racismo institucional” e perseguição ao diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino dos Santos, considerando a afirmação sem fundamento.
A crise entre TCU e Banco Central
A tensão entre as duas instituições remonta a dezembro de 2025, quando Jhonatan de Jesus determinou que o BC apresentasse, em até 72 horas, esclarecimentos sobre supostos indícios de liquidação “precipitada” do Master. O ministro apontou possíveis irregularidades e omissões na condução do processo e decretou sigilo sobre os autos — medida que causou estranheza no mercado financeiro, dado que o Banco Master é uma instituição privada.
O BC foi obrigado a justificar a fundamentação técnica da liquidação, as alternativas menos gravosas consideradas, a cronologia das tratativas e a coerência na governança decisória.
Diante da determinação de uma inspeção nos documentos, o Banco Central recorreu ao colegiado, argumentando que a medida não poderia ser tomada por um único ministro. Jesus recuou, e as partes chegaram a um acordo sobre o procedimento técnico a ser adotado.
A inspeção foi concluída. Segundo apurou o g1, o parecer técnico do TCU não identificou irregularidades na condução do processo pelo Banco Central — resultado que contraria parte das suspeitas inicialmente levantadas pelo relator.
Ainda assim, Jhonatan de Jesus não formulou seu parecer final e o caso não foi levado ao plenário do tribunal. O desfecho do processo permanece indefinido.
O contexto em torno da conduta do BC já havia gerado consequências concretas antes desta sessão: o Banco Central havia afastado dois servidores investigados por terem atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro durante a fiscalização e liquidação do Master — o mesmo processo que o TCU agora audita, sem que o relator tenha emitido sua conclusão.