O gabinete do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu publicou em rede social, nesta terça-feira (10), uma mensagem ao povo iraniano declarando travar, ao lado dos Estados Unidos, uma “guerra histórica pela liberdade” no Irã.
No texto, Israel se apresenta como o “melhor aliado” dos iranianos, convoca a população a agir contra o regime dos aiatolás e promete criar condições para uma transição de poder.
O conflito está em curso desde 28 de fevereiro, quando EUA e Israel iniciaram bombardeios contra alvos iranianos. Em resposta, forças do Irã atacaram território israelense e bases americanas no Oriente Médio.
Mensagem de Netanyahu ao povo iraniano
No comunicado, Israel afirma ter eliminado “milhares de membros do IRGC e centenas de seus lançadores de mísseis” e que os ataques continuarão “com força crescente” contra os “tiranos que aterrorizaram” o povo iraniano “por décadas”.
O texto faz referência direta à morte do líder supremo Ali Khamenei e à posse de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo. O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre EUA e Israel matou o aiatolá — morte que o próprio premier cita ao dizer: “O aiatolá não existe mais, e sei que vocês não querem que ele seja substituído por outro tirano”.
A mensagem afirma que Israel respeitará “plenamente a soberania, a cultura e a herança” do Irã e que os ataques miram exclusivamente o regime, não a população civil. “Vocês pediram ajuda, e a ajuda chegou”, diz o comunicado.
Promessa de transição
Israel afirma que os “aiatolás e seus capangas estão fugindo” e promete que, “nos próximos dias”, criará as condições para que os iranianos “assumam o próprio destino”. O trecho final tem tom de convocação direta: “Quando o momento for certo, e esse momento se aproxima rapidamente, passaremos a tocha a vocês. Estejam prontos para aproveitar a oportunidade!”
O discurso israelense encontra resistência do outro lado do conflito. O chanceler iraniano Abbas Araghchi admitiu que o líder supremo será substituído, mas deixou claro que Teerã quer ditar os próprios termos da transição — não recebê-los de Tel Aviv.
A postura dos aliados também tensiona a narrativa de “libertação”. Enquanto Israel promete “passar a tocha” ao povo iraniano, Trump sinalizou que não se importa se o próximo governo será democrático — apenas que seja favorável a Washington e Tel Aviv.
A contradição entre o discurso de Netanyahu sobre soberania iraniana e as declarações de Trump sobre o futuro político do país coloca em xeque a narrativa de que a intervenção militar visa exclusivamente a liberdade do povo iraniano.