Empresas estatais e órgãos do governo chinês alertaram funcionários para não instalar o OpenClaw em dispositivos de trabalho, segundo fontes a par do assunto. O motivo: risco de vazamento, exclusão ou uso indevido de dados após a instalação do agente de IA.
Em alguns casos, a orientação foi para evitar o software até mesmo em dispositivos pessoais, segundo uma das fontes, que falou sob anonimato por não ter autorização para comentar o tema publicamente.
Contradição no centro da política chinesa de IA
O alerta contrasta com o plano nacional “IA Plus”, lançado por Pequim para impulsionar a inovação e o crescimento econômico a partir da inteligência artificial. Governos locais em polos de tecnologia e manufatura chegaram a oferecer subsídios milionários a empresas que desenvolvem soluções baseadas no OpenClaw.
No distrito de Futian, em Shenzhen, autoridades usaram o software para criar um agente de IA voltado ao trabalho de servidores públicos, segundo o jornal estatal Southern Daily. Na mesma cidade, um centro de pesquisa ligado à comissão municipal de saúde realizou um treinamento sobre a ferramenta com a participação de milhares de pessoas.
A dupla postura de Pequim — estimular e restringir ao mesmo tempo — reflete o impasse entre a corrida tecnológica e a preocupação com segurança cibernética em meio ao acirramento das tensões geopolíticas.
Escopo ainda indefinido
Não está claro se as restrições anulam as políticas de fomento local ou se afetam usos já em andamento em prefeituras. Uma das fontes, ligada a um órgão do governo, disse que o OpenClaw não foi formalmente proibido em seu local de trabalho — apenas os riscos foram comunicados aos servidores.
O órgão regulador de ativos estatais da China e o Ministério da Indústria não responderam a pedidos de comentário. A restrição foi revelada inicialmente pela Bloomberg.
O OpenClaw foi criado pelo austríaco Peter Steinberger e disponibilizado no GitHub em novembro do ano passado. O software rapidamente conquistou desenvolvedores chineses e grandes empresas de IA do país, tornando-se símbolo da nova geração de agentes autônomos.
No mês passado, Steinberger foi contratado pela OpenAI — movimento que, somado às restrições impostas por Pequim, posiciona o OpenClaw no centro da disputa global por IA autônoma, com implicações que transcendem a tecnologia e entram diretamente no território da geopolítica.
Reguladores do governo central e veículos da mídia estatal já emitiam alertas repetidos sobre riscos do software antes das orientações internas às estatais. A sequência — adoção acelerada, alarme regulatório e agora restrição em órgãos públicos — sugere que Pequim ainda está calibrando os limites de sua política para agentes de IA.