Políticos do centrão se mobilizaram nos bastidores de Brasília para tentar garantir a libertação do banqueiro Daniel Vorcaro na Segunda Turma do STF. A articulação ganhou força com o temor de que o avanço das investigações leve o banqueiro a optar por uma delação premiada.
Interlocutores políticos passaram a mapear votos dentro da Segunda Turma e a operar nos bastidores para construir uma maioria favorável à soltura de Vorcaro.
Suspeição de Toffoli muda o cálculo político
Um dos cenários mapeados pelo centrão se concretizou na noite de quarta-feira: o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para analisar a decisão que levou à prisão de Vorcaro. A mudança alterou o cálculo político de forma significativa.
Com Toffoli fora da análise, a Segunda Turma julga o caso com apenas quatro ministros. A lei prevê que, em matéria criminal, o empate beneficia o réu — o que, na prática, significaria a libertação imediata de Vorcaro.
Dias antes, a própria defesa de Vorcaro já estudava levar o caso à Segunda Turma — e a participação de Toffoli no colegiado era justamente o nó que precisaria ser resolvido para qualquer votação acontecer. A suspeição simplificou o cálculo do centrão.
A estratégia original: três votos
Antes da suspeição de Toffoli, a meta do centrão era construir três votos favoráveis na turma completa. Como o ministro André Mendonça é o relator do Caso Master e foi quem autorizou a prisão preventiva, a esperança dos articuladores recaía sobre os demais integrantes do colegiado.
A Segunda Turma é composta por Mendonça, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli. A votação foi marcada para 13 de março — e foi essa janela de tempo que acelerou a mobilização política pelos bastidores de Brasília.
No STF, caso é tratado como grave
Dentro do Supremo, a avaliação é de que o Caso Master é grave. Não há termômetro confiável sobre qual será a decisão da Segunda Turma — o único ministro com posição pública é André Mendonça, relator do caso, que autorizou a prisão preventiva de Vorcaro.
A indefinição alimenta o temor do centrão. Para os articuladores políticos, o risco maior não é a manutenção da prisão em si, mas o que pode acontecer enquanto Vorcaro permanece detido: uma colaboração premiada que exponha a extensão das relações políticas e financeiras do banqueiro com membros do bloco.
A grande aposta do centrão é transformar o julgamento iminente em uma oportunidade de encerrar o caso antes que Vorcaro decida negociar com as autoridades. O cálculo é politicamente arriscado, mas o silêncio do banqueiro vale mais do que qualquer outro desdobramento jurídico para o bloco.