A Câmara dos Deputados realizou, nesta quarta-feira (11), sessão solene em memória de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, assassinados há quase oito anos no Rio de Janeiro.
O encontro reuniu familiares das vítimas, parlamentares e membros do governo para celebrar a condenação dos mandantes — os irmãos Brazão e outros três réus — pelo STF, em 25 de fevereiro.
As vozes da sessão solene
A viúva de Marielle, a vereadora Mônica Benício, foi direta ao classificar a condenação dos mandantes: “uma justiça que o Estado Democrático devia aos familiares”. Fernanda Chaves, sobrevivente do atentado, disse que a decisão deixa claro que crimes como esses não serão aceitos.
Agatha Arnaus Reis, viúva de Anderson Gomes, disse que o resultado no STF abriu caminho para que os brasileiros olhem “com mais coragem para as próprias estruturas”.
A deputada Taliria Petrone (PSOL-RJ), autora do requerimento que originou a sessão, destacou que agentes políticos foram condenados a 76 anos de prisão.
O assassinato de Marielle ganha contorno ainda mais urgente num país que registrou em 2025 o maior número de feminicídios desde a tipificação do crime — 1.470 mortes, quatro por dia.
Legado e representatividade
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, defendeu que o projeto político do país deve garantir às mulheres não apenas o acesso aos espaços de poder, mas a permanência neles. A ministra interina das Mulheres, Eutália Barbosa, afirmou que Marielle se tornou “memória viva da luta por justiça”.
A sessão ocorreu três dias antes do oitavo aniversário dos crimes. Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos a tiros em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro — e a homenagem na Câmara reflete a permanência do caso na pauta política nacional.