O governo brasileiro anunciou, nesta terça-feira (10), apoio oficial à candidatura de Michelle Bachelet para secretária-geral da ONU. A declaração foi feita em Nova York, durante a 70ª sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressaltou que a organização nunca foi liderada por uma mulher em décadas de atuação internacional pela igualdade de gênero.
Também esteve presente a primeira-dama Janja Lula da Silva. A saída do secretário-geral António Guterres está prevista para 31 de dezembro deste ano.
Quem é Michelle Bachelet
Médica e socialista, Bachelet governou o Chile por dois mandatos: de 2006 a 2010 e de 2014 a 2018. No segundo governo, assumiu com a promessa de reformas na educação e no sistema tributário, além da redução das desigualdades sociais.
No cenário internacional, ganhou projeção como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos. Na função, criticou ataques às instituições democráticas e defendeu a transparência eleitoral em diferentes países, inclusive no Brasil.
Como funciona a escolha do próximo secretário-geral
O português António Guterres, no cargo desde 2017, encerrará seu mandato em 31 de dezembro. O processo de seleção foi aberto oficialmente em novembro de 2025, quando os países-membros foram convidados a indicar candidatos para assumir a função no início de 2027.
Antes mesmo do anúncio desta terça, a diplomacia brasileira já havia listado Bachelet entre as candidatas qualificadas para o posto, ao lado de outras lideranças da América Latina.
A eventual eleição de Bachelet representaria um marco histórico: a ONU nunca foi chefiada por uma mulher desde sua fundação, em 1945. A ministra Márcia Lopes destacou esse fato diante das delegações reunidas na CSW70, maior encontro internacional dedicado à pauta de gênero.
A presença da primeira-dama Janja Lula da Silva ao lado da ministra em Nova York reforça o peso simbólico dado pelo governo Lula ao posicionamento. A escolha do evento para anunciar o apoio não foi casual: a Comissão sobre a Situação da Mulher é o principal fórum da ONU para debater igualdade de gênero.
O movimento sinaliza ainda o alinhamento do Itamaraty com candidaturas latino-americanas para posições de liderança em organismos multilaterais — diretriz que vem ganhando espaço crescente na política externa do atual governo.