A Comissão Europeia emitiu um alerta formal, nesta segunda-feira (9), sobre o risco de um grande choque inflacionário caso o conflito no Oriente Médio se prolongue.
O petróleo chegou a disparar 30% no dia, aproximando-se de US$ 120 por barril — cerca de R$ 630. Bolsas de valores na Ásia, Europa e nos Estados Unidos operaram em forte queda.
O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, está suspenso desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Bolsas mundiais no vermelho
O impacto nas bolsas foi imediato e global. Na Ásia, Seul liderou as perdas com queda de 5,96%, enquanto Tóquio recuou 5,2%. Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington também encerraram o pregão em baixa.
Na Europa, os principais mercados operavam no vermelho: Paris caía 2,59%, Frankfurt recuava 2,47%, Londres perdia 1,57%, Madri cedia 2,87% e Milão recuava 2,71%.
Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street acumularam queda superior a 2% na semana anterior. O dólar recuperou parte do valor ao ser tratado como ativo de proteção em cenários de incerteza.
O nó do petróleo
O principal vetor de pressão inflacionária é o mercado de energia. Com o Estreito de Ormuz bloqueado desde 28 de fevereiro, a perspectiva de preços elevados por um período prolongado alimenta o temor de uma onda inflacionária de alcance global.
Na semana que antecedeu o alerta europeu, analistas do JPMorgan já descreviam uma virada de percepção: a crise havia passado de uma leitura puramente geopolítica para perturbações operacionais tangíveis, com o Brent acumulando quase 28% de alta e cerca de 300 petroleiros parados na região — panorama detalhado em análise do Tropiquim sobre o bloqueio no Estreito de Ormuz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a alta do petróleo e reforçou a importância de eliminar "a ameaça nuclear do Irã", sem demonstrar preocupação com os efeitos econômicos imediatos da escalada.
Analistas, no entanto, alertam para consequências severas. Stephen Innes, da SPI Asset Management, foi categórico: "O choque mais profundo está se espalhando pela cadeia produtiva. O petróleo acima de US$ 100 não representa apenas uma alta das commodities — torna-se um imposto sobre a economia global."
O prognóstico ganha substância quando confrontado com análises anteriores: especialistas da Rystad Energy já alertavam que, mesmo com o fim do conflito, pode levar semanas ou meses para que a produção de petróleo retorne ao nível anterior. A elevação do petróleo a US$ 90 com a guerra no Irã já havia sinalizado que o cenário de energia cara seria duradouro — fundamento direto para o alerta formal emitido pela Comissão Europeia.