O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar Cuba nesta segunda-feira (9) e declarou que uma tomada de controle da ilha pelos EUA pode ser “amigável ou não” — suas palavras durante coletiva de imprensa em Washington.
Trump afirmou que Cuba está em “sérios apuros” em termos humanitários e que o governo cubano teria grande interesse em fechar um acordo com os americanos.
O presidente norte-americano também defendeu Marco Rubio, secretário de Estado e cubano-americano de Miami, como principal responsável pelas negociações. “Confio nele para a missão”, declarou Trump.
Escalada de ameaças em menos de duas semanas
A declaração desta segunda representa nova escalada numa série de provocações recentes. Quatro dias antes, Trump havia declarado que uma ofensiva em Cuba era “questão de tempo” — durante cerimônia em homenagem ao Inter Miami —, enquanto Rubio já exigia uma “mudança radical” na ilha.
Há cerca de dez dias, Trump havia sugerido pela primeira vez uma “tomada de controle amigável” de Cuba — expressão que agora ganha um acréscimo ameaçador: a possibilidade de não ser amigável.
Cuba atravessa uma grave crise econômica agravada pelo bloqueio imposto por Washington. Os Estados Unidos chegaram a flexibilizar, “por razões humanitárias”, restrições às exportações de petróleo para a ilha — mas Trump não demonstrou disposição para negociações mais amplas.
Apagões e colapso energético na ilha
No mesmo dia das primeiras ameaças de Trump, dois terços de Cuba ficaram sem luz por 16 horas após falha técnica na usina Antonio Guiteras, episódio que expôs a fragilidade energética da ilha agravada pelo bloqueio de combustível imposto por Washington.
O país enfrenta há anos crises de desabastecimento de alimentos, medicamentos e combustível. A combinação de pressão externa crescente e colapso interno cria o cenário que Trump parece querer explorar politicamente — com Marco Rubio como principal articulador da agenda cubana dentro do governo americano.
Filho de imigrantes cubanos, Rubio representa simbolicamente a influência do exílio cubano de Miami sobre a política externa dos EUA em relação a Havana — pressão que se intensifica a cada nova declaração do presidente.