A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (10) uma mulher identificada como líder de uma organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de brasileiras para exploração sexual.
A detenção aconteceu em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, durante a Operação New Girl.
O grupo recrutava vítimas por redes sociais e aplicativos de mensagens, oferecendo altos ganhos, passagens financiadas e hospedagem — promessas que ocultavam condições de trabalho forçado no destino.
Segundo a Polícia Federal, ao chegarem ao exterior, as vítimas eram submetidas a jornadas extensas e mantidas sob vigilância constante dos integrantes da organização. Parte do dinheiro que ganhavam era repassada compulsoriamente ao grupo.
Com base nas provas reunidas ao longo da investigação, a Justiça Federal expediu mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e sequestro de bens. As medidas abrangem contas bancárias, criptomoedas, veículos e imóveis.
O bloqueio de valores pode chegar a cerca de R$ 4,7 milhões — montante que reflete a escala financeira do esquema desmontado.
A operação foi conduzida com apoio da Divisão de Repressão ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes. Os mandados foram cumpridos por equipes da Base de Enfrentamento à Promoção da Migração Ilegal e Crimes Conexos de São Paulo.
Em nota oficial, a Polícia Federal reiterou seu comprometimento no combate ao tráfico internacional de pessoas e à exploração sexual, destacando a vulnerabilidade de mulheres brasileiras como alvo preferencial desse tipo de organização.
O uso de redes sociais e aplicativos de mensagens como ferramentas de aliciamento é uma das marcas das redes modernas de tráfico humano. A promessa de trabalho bem remunerado no exterior serve como isca para mulheres em situação de vulnerabilidade econômica ou social.
A Operação New Girl reforça um esforço mais amplo das autoridades brasileiras para desarticular esquemas que operam na interseção entre crime organizado transnacional, exploração sexual e lavagem de dinheiro — incluindo o uso crescente de criptoativos para movimentar recursos ilícitos.