O petróleo americano WTI superou a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez em quatro anos neste domingo (8), impulsionado pela nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã.
O barril chegou a US$ 109,17 — patamar não visto desde fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia. O Brent avançou 19%, a US$ 110,35 por barril, cerca de R$ 583.
A disparada foi desencadeada pela confirmação, via mídia estatal iraniana, de que a Assembleia de Especialistas escolheu Mojtaba Khamenei, de 56 anos, para substituir seu pai Ali Khamenei — morto em 28 de fevereiro durante bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel em Teerã.
Há menos de uma semana, analistas já projetavam que o barril poderia atingir US$ 100 caso a guerra se prolongasse — cenário que se concretizou neste domingo com o WTI chegando a US$ 109,17. Na sexta-feira (6), o WTI havia encerrado a US$ 90,90 após acumular alta de 35% na semana com o travamento do Estreito de Ormuz — em apenas dois dias, o barril saltou mais US$ 18.
Trump minimiza a alta e renova ameaças
Antes mesmo de a nomeação ser anunciada, Donald Trump declarou que o próximo líder supremo iraniano “não vai durar muito” sem sua aprovação. Após o anúncio, mudou o tom: disse que o aumento é um valor “muito pequeno a se pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo”.
Em publicação no Truth Social, o presidente afirmou que os preços cairão rapidamente quando “a destruição da ameaça nuclear do Irã terminar”.
Quem é Mojtaba Khamenei
Mojtaba é clérigo de escalão médio com laços estreitos com os Guardas Revolucionários — o braço político e militar mais poderoso do regime iraniano. Mesmo ostentando o título de aiatolá, é considerado uma figura intermediária no establishment clerical do país.
Sua proximidade com a elite da Guarda e o apoio interno o tornavam, há anos, favorito à sucessão — mesmo que a ideologia dominante do Irã não preveja transferência hereditária de poder. Além do pai, ele perdeu a esposa e um filho pequeno nos bombardeios de fevereiro. Mojtaba assume como autoridade religiosa, política e comandante-em-chefe das Forças Armadas iranianas.
Irã rejeita ingerência americana
O ministro das Relações Exteriores do Irã rebateu Trump afirmando que cabe ao povo iraniano — e não ao presidente americano — escolher o novo líder. O chanceler também exigiu um pedido de desculpas por, segundo ele, Trump ter “iniciado a guerra no Oriente Médio” e ser responsável pelos “assassinatos e pela destruição” causados na região.