O preço do petróleo ultrapassou US$ 100 por barril pela primeira vez desde fevereiro de 2022, impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
O temor de bloqueio no Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo no mundo, amplificou as pressões sobre o mercado global de energia.
No Brasil, os combustíveis registraram leve alta nos últimos dias. Analistas avaliam que reajustes maiores podem vir se os preços internacionais se mantiverem elevados.
Por que o petróleo disparou?
A escalada no preço do barril está diretamente ligada à guerra entre Estados Unidos e Irã. O conflito acende alertas sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa parte significativa do petróleo exportado globalmente. Qualquer interrupção nessa rota aumenta o risco de escassez no mercado mundial.
Para Johnny Martins, vice-presidente do SERAC, conflitos em regiões produtoras historicamente geram alta no preço do petróleo e amplificam a volatilidade. “Qualquer risco de interrupção na produção, no transporte ou na exportação gera insegurança. E, quando há insegurança, o preço sobe”, afirma.
Como o petróleo chega ao preço no posto?
O petróleo é a principal matéria-prima da gasolina e do diesel. Como é negociado em dólar, a alta do barril ou da moeda americana eleva diretamente o custo de produção. Mas o preço final ao consumidor vai muito além disso: inclui impostos federais e estaduais, mistura obrigatória de biocombustíveis e custos de distribuição e venda.
Na gasolina, a parcela referente à Petrobras representa cerca de 28,7% do preço final. Com a média nacional em R$ 6,30 por litro, segundo a ANP, isso equivale a aproximadamente R$ 1,81. No diesel, essa participação sobe para 46% — cerca de R$ 2,80 num litro a R$ 6,08.
Petrobras segura reajustes, mas estratégia tem prazo
A política atual da Petrobras permite absorver parte das oscilações externas no curto prazo, o que explica por que os combustíveis não subiram de forma abrupta mesmo com o barril acima de US$ 100. Marcos Bassani, analista de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, destaca que a nova política reduziu a frequência dos reajustes.
João Abdouni, da Levante Inside Corp, avalia que a estatal deve aguardar antes de agir. “A empresa tende a esperar antes de realizar reajustes, que podem ocorrer nos próximos dias caso os preços se mantenham em níveis mais elevados”, diz o analista.
O ponto de maior vulnerabilidade está no diesel. O Brasil depende de importações do produto, e se a diferença entre o preço interno e o internacional se tornar muito grande, importadores podem reduzir a oferta no país — criando escassez e pressão adicional. Com o frete mais caro, toda a cadeia produtiva é afetada, de alimentos a serviços básicos ao consumidor final.