Os preços do petróleo recuavam com força nesta terça-feira (10), um dia após atingirem o maior nível em quase quatro anos. A queda foi desencadeada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizando que o conflito no Oriente Médio pode estar próximo do fim.
Por volta das 7h24 (horário de Brasília), o Brent operava em queda de 7,44%, a US$ 91,60 por barril. O WTI — referência americana — recuava 6,84%, a US$ 88,29. Em momentos mais agudos da sessão, ambos os contratos chegaram a despencar até 11%.
De US$ 100 a US$ 91 em menos de 24 horas
Na segunda-feira (9), o petróleo havia ultrapassado US$ 100 por barril, atingindo o maior valor desde meados de 2022. A alta foi sustentada pelos cortes de oferta da OPEP e pelos temores de grandes interrupções no fornecimento global, decorrentes da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A virada teve início depois que o presidente russo, Vladimir Putin, telefonou para Trump e apresentou propostas para uma solução rápida do conflito, segundo um assessor do Kremlin. Em seguida, Trump afirmou à CBS News que a guerra contra o Irã está “praticamente concluída” e que Washington estaria “muito à frente” do prazo inicial de quatro a cinco semanas.
Na véspera, o barril do WTI havia chegado a US$ 119 antes de desabar para US$ 88 na mesma sessão — uma oscilação histórica desencadeada pelas mesmas declarações que continuam pressionando os preços nesta terça.
Analistas alertam, porém, que os fundamentos do mercado permanecem tensos: o Murban e o Dubai — referências regionais do Oriente Médio — seguem acima de US$ 100 por barril, indicando que pouco mudou na estrutura da oferta global.
O conflito tem raízes profundas: foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, que retirou de circulação cerca de 20% do petróleo mundial, que deu início à escalada de preços quando a guerra eclodiu no fim de fevereiro.
Irã ameaça bloquear exportações e G7 monitora situação
Em resposta às declarações de Trump, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã afirmou que “determinará o fim da guerra” e que Teerã não permitirá que “um litro de petróleo” seja exportado da região caso os ataques dos Estados Unidos e de Israel continuem. A declaração foi divulgada pela mídia estatal iraniana, citando o porta-voz das Forças Armadas do país.
Do lado americano, o governo Trump avalia aliviar sanções ao petróleo russo e liberar reservas estratégicas emergenciais como parte de um pacote para conter a alta dos preços globais, segundo fontes ouvidas por agências internacionais.
Os países do G7 afirmaram na segunda-feira estar preparados para adotar “as medidas necessárias” diante da disparada dos preços, sem, no entanto, comprometer-se explicitamente com a liberação de reservas estratégicas.