O mercado financeiro manteve em 3,91% sua projeção para o IPCA de 2026, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (9) pelo Banco Central, com base em pesquisa realizada com mais de 100 instituições financeiras.
Se confirmada, a inflação ficará abaixo dos 4,26% registrados em 2025 e dentro da banda tolerada pela meta contínua, que admite variação entre 1,5% e 4,5% em torno do centro de 3%.
Mesmo com a Selic a 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas —, economistas do mercado seguem apostando que os juros recuarão ao longo do ano.
Juros altos e expectativa de alívio monetário
A taxa básica foi mantida em 15% ao ano em fevereiro, reflexo do esforço do Banco Central para conter a inflação. Ainda assim, o mercado acredita que haverá cortes nos próximos meses, o que tende a reduzir o custo do crédito e estimular a atividade econômica.
Para o PIB de 2026, a projeção permaneceu estável em 1,82% — número que serve de referência para avaliar o ritmo de recuperação do país. O resultado oficial do desempenho econômico em 2025 ainda não foi divulgado pelo IBGE.
Câmbio e projeções para 2027
O mercado reduziu levemente sua estimativa para o dólar ao fim de 2026, de R$ 5,42 para R$ 5,41. Para o fechamento de 2027, a projeção se manteve em R$ 5,50, enquanto a estimativa de crescimento do PIB para aquele ano ficou em 1,8%.
O contexto econômico de 2025 pesa diretamente sobre as expectativas para este ano. O PIB brasileiro cresceu apenas 2,3% em 2025 — freado pela Selic a 15% que o mercado agora espera ver recuar, tornando a projeção de 1,82% para 2026 um termômetro essencial da recuperação econômica.
A meta contínua, vigente desde o início de 2025, substituiu o modelo de metas anuais e confere ao Banco Central mais flexibilidade para reagir a variações conjunturais sem comprometer a credibilidade da política monetária.
Com as projeções do Focus dentro do intervalo tolerado, a pressão sobre o Copom tende a diminuir gradualmente — desde que câmbio e dados de atividade não tragam surpresas negativas nas próximas semanas.