O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pediu nesta terça-feira (10) que o país não tome “decisões açodadas” diante da disparada do petróleo, que chegou a superar US$ 120 por barril — nível mais alto em mais de três anos.
A queda veio depois que Donald Trump afirmou que a guerra no Oriente Médio pode terminar em breve. Haddad foi questionado se a alta poderia atrapalhar a intenção do Banco Central de iniciar cortes de juros. O ministro destacou que o BC é autônomo em suas decisões sobre a taxa de juros, independente do governo e do mercado.
Volatilidade extrema nos mercados
Na véspera da declaração de Haddad, o petróleo viveu uma das sessões mais voláteis em décadas — subiu 30% de madrugada, chegando a US$ 119, e despencou para US$ 88 na mesma tarde após falas de Trump, cenário que embasou o pedido do ministro por cautela antes de tomar decisões.
Nesta terça, os contratos futuros do Brent crude oil recuavam 6,3%, para US$ 92,68 por barril. O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, caía 6,5%, para US$ 88,58 por barril.
Cadeia de impactos no Brasil
Economistas alertam que dólar e petróleo mais caros elevam a expectativa de reajuste nos preços de combustíveis e energia, com efeitos indiretos sobre o transporte, a indústria e o agronegócio — e um freio ao crescimento da atividade doméstica.
O conflito tem raiz nos ataques que eclodiram em 28 de fevereiro: o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, foi o gatilho da escalada de preços que agora pressiona a inflação e os juros no Brasil.
Copom sob pressão do cenário externo
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reage ao cenário econômico na fixação dos juros. Se houver piora com impacto inflacionário, o colegiado precisa adequar suas projeções para o futuro. Na ata de sua última reunião, em janeiro, o Copom já avaliava que o cenário externo seguia incerto.
A lógica econômica é direta: se a guerra não acabar no curto prazo, o impacto na inflação — via aumento do petróleo e do dólar — pode ser mais duradouro. Isso contaminaria as projeções dos próximos anos e limitaria a intensidade e o ritmo dos cortes na taxa de juros no país.
Para reforçar o argumento pela cautela, Haddad citou o tarifaço de Trump — revertido em parte logo após o anúncio — como exemplo de que choques externos podem ser passageiros, justificando a espera antes de ajustes na política econômica brasileira.