O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve deixar o cargo na próxima quinta-feira (19) para concorrer ao governo de São Paulo. A saída atende ao prazo constitucional de desincompatibilização, exigido seis meses antes do pleito.
A decisão veio após resistência do ministro, que acabou cedendo ao pedido direto do presidente Lula. O argumento final foi a pesquisa Datafolha divulgada no sábado (7), que mostrou segundo turno muito apertado entre Lula e Flavio Bolsonaro.
São Paulo como campo de batalha eleitoral
A escolha de Haddad não é casual. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e tem peso decisivo nos resultados nacionais. Para o campo governista, garantir competitividade lá é estratégico tanto para o governo estadual quanto para a reeleição de Lula.
O adversário será Tarcísio de Freitas, atual governador pelo Republicanos e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. A pesquisa Datafolha divulgada no domingo (8) coloca Tarcísio na frente com 44% das intenções de voto, contra 31% de Haddad.
A legislação eleitoral exige que ministros e ocupantes de cargos públicos se desincompatibilizem — renunciem às funções — até seis meses antes do pleito. Neste ano, esse prazo se encerra no início de abril, tornando a saída na quinta-feira (19) o momento mais tardio possível para Haddad cumprir a regra sem perder o direito de concorrer.
Por que Haddad e não Alckmin ou Tebet
Dentro do governo, outras possibilidades foram cogitadas para encabeçar a candidatura paulista: o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a ministra Simone Tebet (MDB). Mas a mesma pesquisa Datafolha indicou que Haddad apresenta desempenho superior aos dois em intenções de voto no estado.
O próprio ministro resistia à ideia. Em conversas internas, Haddad argumentava que Lula estava em posição mais confortável do que em 2022, quando disputou com Bolsonaro enquanto este ainda ocupava a Presidência da República — o que, na sua avaliação, justificaria manter o foco na condução da Fazenda.
O que mudou o cálculo foi o Datafolha do último sábado. O levantamento mostrou que a disputa entre Lula e Flavio Bolsonaro no segundo turno está mais acirrada do que o esperado, elevando a pressão sobre o governo para reforçar sua base no estado mais populoso do país com o nome mais competitivo disponível.