O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou nesta terça-feira (10) que deixará o cargo na próxima semana. O secretário-executivo Dario Durigan deverá assumir a pasta em seu lugar.
A saída abre caminho para Haddad concorrer ao governo de São Paulo contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) — movimento que o presidente Lula considerava estratégico para o pleito de 2026.
Prazo eleitoral e pesquisa aceleraram a decisão
A legislação eleitoral exige que ministros com pretensões eleitorais se desincompatibilizem — deixem o cargo — até seis meses antes da votação. O prazo vence no início de abril.
Haddad resistiu por meses ao pedido de Lula, argumentando em conversas internas que o presidente estava em posição mais favorável do que em 2022, quando concorreu com Bolsonaro ainda no cargo. O raciocínio não resistiu aos números: o Datafolha do sábado (7) mostrou Flávio Bolsonaro com 43% contra 41% de Haddad em simulação de segundo turno presidencial — empate técnico que acendeu o alerta no Planalto.
São Paulo como campo decisivo de 2026
Com mais de 30 milhões de eleitores, São Paulo é o maior colégio eleitoral do país — e o estado onde a disputa promete ser mais acirrada. O mesmo Datafolha apontou Tarcísio de Freitas liderando com 44% no primeiro turno em confronto direto com Haddad pelo governo estadual. O governador aparece com mais de 40% das intenções de voto em todos os cenários testados.
A presença do ex-ministro na corrida paulista passou a ser tratada como prioridade pelo Planalto diante de um segundo turno presidencial extremamente competitivo.
Haddad não será o único integrante do governo a deixar o cargo antes do prazo eleitoral. Alckmin também confirmou sua saída do MDIC para o início de abril, em movimento que compõe uma reorganização mais ampla dos palanques eleitorais de 2026 em São Paulo.
A troca no comando da Fazenda em plena corrida eleitoral levanta questões sobre a continuidade da política econômica. Durigan, como secretário-executivo, acompanhou de perto as principais decisões fiscais do governo e é visto como nome de confiança para manter a linha adotada por Haddad.
A confirmação formal da candidatura deve ocorrer nas próximas semanas, após o desligamento oficial do ministério.