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Guerra no Irã derruba voos, bloqueia matérias-primas e abala comércio global

Com aeroportos paralisados no Golfo, frete em colapso e alumínio em escassez, o conflito redefine cadeias produtivas em todos os continentes

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã travou os aeroportos de Dubai e Doha, cancelou cerca de 40 mil voos e desencadeou uma cascata de interrupções no comércio mundial — da produção de alumínio no Golfo às fábricas têxteis de Bangladesh.

Dubai e Doha, dois dos aeroportos mais movimentados do planeta, suspenderam operações com dezenas de milhares de passageiros retidos. As companhias aéreas recalculam rotas enquanto o preço do combustível de aviação chegou a dobrar desde o início do conflito.

Aviação e logística em colapso parcial

O fechamento do espaço aéreo do Golfo representa a maior interrupção no setor de viagens desde a pandemia de Covid-19. Governos mobilizaram operações de repatriação enquanto os aeroportos retomam atividades com fração mínima da capacidade normal. Jatos particulares viraram alternativa para viajantes isolados; outros fizeram longas viagens de táxi pelo deserto até Riade para alcançar voos de saída.

As passagens entre Ásia e Europa dispararam. Wizz Air e Lufthansa alteraram rotas, e a Ryanair viu a demanda por voos curtos crescer — europeus preferindo destinos próximos na Páscoa. As companhias aéreas americanas, que abandonaram proteções contra o custo de combustível, podem ser as mais afetadas caso o conflito persista; as europeias e asiáticas mantêm estratégias ativas de hedge.

Alumínio, níquel e cadeias industriais em risco

A fundição catariana Qatalum interrompeu operações, e a Aluminium Bahrain suspendeu embarques ao declarar força maior por não conseguir transportar metal pelo Estreito de Ormuz. A região do Golfo representa cerca de 8% do fornecimento global de alumínio, e os preços na Bolsa de Metais de Londres atingiram máximas de vários anos.

Produtores de níquel na Indonésia dependem do Oriente Médio para 75% do enxofre utilizado no processo produtivo. Com o transporte marítimo no Golfo cada vez mais comprometido, reduções de produção podem ser inevitáveis.

No varejo, remessas da Inditex — dona da Zara — e de outras grandes varejistas de fast fashion estão retidas em aeroportos de Bangladesh e da Índia. O sul da Ásia abastece marcas do mundo todo com vestuário produzido em larga escala, e o bloqueio logístico já é sentido nas prateleiras.

O setor de luxo, que já enfrentava dificuldades para recuperar a demanda, acumula pressões logísticas adicionais. Grupos como Richemont e Zegna estão entre os mais impactados pelas restrições impostas pelo conflito às cadeias de distribuição internacional.

Autoridades sul-coreanas alertaram que um conflito prolongado pode comprometer o fornecimento de hélio — insumo essencial e sem substituto viável para a fabricação de semicondutores — proveniente do Oriente Médio. Ataques com drones danificaram centros de dados da Amazon nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein, levantando questões sobre a segurança das cadeias de tecnologia na região.

O turismo movimenta cerca de US$ 367 bilhões por ano no Oriente Médio, setor que recebeu bilhões em investimentos para se consolidar como destino seguro e sofisticado — de Abu Dhabi a Dubai. O conflito expôs a fragilidade do transporte aéreo global, altamente dependente de hubs como o aeroporto de Dubai, o mais movimentado do mundo.

Nos bastidores militares, o Pentágono utilizou ferramentas de inteligência artificial da Anthropic durante os ataques ao Irã — mesmo após ter classificado a empresa como "risco para a cadeia de suprimentos" e proibido contratados de usar sua tecnologia em projetos de defesa. Donald Trump reuniu-se com executivos de sete empresas do setor em 6 de março, enquanto o governo americano trabalha para repor estoques consumidos nas operações.

O combustível de aviação chegou a dobrar de preço desde o início do conflito — reflexo direto da alta do petróleo, que ultrapassou US$ 90 o barril após o bloqueio quase total do Estreito de Ormuz. O FMI já havia alertado que o conflito coloca a economia mundial "sob pressão", com risco concreto de inflação em cadeia no Brasil e nos mercados globais.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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