O presidente do STF, Edson Fachin, reuniu-se de forma não agendada com o ministro André Mendonça, relator das investigações do Banco Master, na noite desta segunda-feira (9) em meio a uma crise institucional crescente.
O encontro acontece após a Polícia Federal prender pela segunda vez o banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — e o jornal O Globo revelar mensagens que ele teria enviado ao ministro Alexandre de Moraes horas antes de sua primeira prisão, em novembro de 2025.
Na última quarta-feira (4), Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero — investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras. Dois dias depois, foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.
A crise que Fachin tenta gerir tem origem na decisão de Mendonça que, em sua estreia como relator do caso, ordenou a prisão de Vorcaro e bloqueou R$ 22 bilhões — após o ministro Dias Toffoli pedir redistribuição do inquérito por ter seu nome mencionado em dados extraídos do celular do banqueiro.
Na sexta-feira (6), uma reportagem do blog da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, revelou prints de mensagens atribuídas a Vorcaro para o ministro Moraes no dia 17 de novembro de 2025. Os prints, obtidos pela PF a partir de celulares apreendidos, mostram o banqueiro descrevendo tentativas de salvar o Master em tempo real, horas antes de sua primeira prisão.
Após a publicação, o STF divulgou nota em que Moraes nega ser o destinatário das mensagens.
Pressão interna e prazo no horizonte
Nos bastidores, ministros do Supremo reclamam da postura da Polícia Federal na condução do caso e cobram de Fachin um posicionamento público sobre a controvérsia. Ao longo da segunda-feira, o presidente da Corte também conversou com outros ministros e com o próprio Moraes, vice-presidente do STF.
A urgência das articulações tem data marcada: a Segunda Turma do STF havia agendado para 13 de março a revisão da decisão de Mendonça que determinou a prisão de Vorcaro.
Na mesma noite, Fachin também se reuniu com a diretoria do Conselho Federal da OAB, presidida por Beto Simonetti. O caso Master esteve no centro das discussões.
O presidente do STF teria defendido as investigações e reiterado que tudo será apurado “doa a quem doer”, em sinal de que a Corte não pretende recuar diante das pressões políticas geradas pelo escândalo.
Ao final do encontro, Simonetti anunciou que a OAB irá pedir acesso irrestrito ao material já produzido na apuração do caso. A entidade também protocolou pedido de reunião com o ministro André Mendonça, relator da investigação, ainda sem data definida.
A mobilização da ordem dos advogados adiciona nova camada de pressão institucional sobre o STF em um momento em que a crise combina disputas internas, investigações criminais bilionárias e a reputação de um dos ministros mais influentes da Corte.