A Argentina decidiu extinguir o chamado imposto do luxo sobre veículos de alto valor — e o efeito nos preços foi imediato. Marcas como Audi, Ford e Toyota já reajustaram suas tabelas, com descontos que chegam a R$ 200 mil em alguns modelos.
A medida foi aprovada pelo Senado argentino no fim de fevereiro, junto a uma polêmica reforma trabalhista. A isenção entra oficialmente em vigor em 1º de abril, mas várias montadoras já anteciparam os novos preços.
Como funcionava o imposto
A alíquota, fixada em 18%, incidia sobre carros que ultrapassavam 79 milhões de pesos argentinos — cerca de R$ 290 mil. Na prática, por causa da incidência combinada com outros tributos, a taxa efetiva chegava a 21,95%.
O cálculo era feito sobre o valor do veículo ao chegar à concessionária, não sobre o preço final ao consumidor. Com a margem do revendedor embutida, o imposto acabava pesando sobre modelos vendidos acima de 105 milhões de pesos (R$ 385 mil).
Em fevereiro de 2025, um decreto do presidente Javier Milei já havia reduzido impostos internos para carros do segmento médio. A nova medida aprovada pelo Senado amplia esse movimento ao segmento premium.
Quais modelos ficaram mais baratos
A Audi reduziu em US$ 37 mil (R$ 192 mil) o preço do RS Q8, que agora custa US$ 250 mil (cerca de R$ 1,3 milhão). A Ford passou a anunciar o Mustang GT por US$ 65 mil (R$ 338 mil) — antes listado a US$ 90 mil (R$ 470 mil), uma diferença de US$ 25 mil.
O Mustang Dark Horse, mesma versão comercializada no Brasil, caiu de US$ 97 mil para US$ 75 mil (R$ 390 mil). Toyota, Lexus e Mercedes também registraram descontos médios de 15%. Até o fechamento das primeiras divulgações, BMW, Porsche, Land Rover, Alfa Romeo e Volvo ainda não haviam anunciado novos preços para o mercado argentino.
O histórico tributário do país ajuda a dimensionar a magnitude dos descontos. Segundo Domínguez, durante o governo de Cristina Kirchner as alíquotas subiram com a justificativa de proteger o mercado, chegando em alguns casos a 50% — muito acima dos 35% nominais — por causa das diferenças entre cotações de câmbio. “Havia receio de fuga de dólares, mas hoje já não existe essa diferença tão grande”, afirmou.
O mercado argentino de automóveis enfrenta baixas vendas desde o fim de 2025, reflexo que chegou diretamente ao Brasil. As exportações brasileiras de veículos recuaram 28% no primeiro bimestre de 2026, com os embarques para a Argentina caindo 7,5%, enquanto o mercado local ainda absorve as turbulências das reformas de Milei.
A expectativa do setor é que os novos preços estimulem as vendas e aqueçam a cadeia produtiva. Há também projeção de reajustes em cadeia no mercado de usados. A Adefa, associação de fabricantes de automóveis da Argentina, classificou a medida como um avanço que corrige distorções acumuladas na formação de preços e devolve previsibilidade às montadoras e a toda a cadeia produtiva.