Política

Apostas milionárias antes de ataque ao Irã acendem suspeita de insider trading

Seis contas lucraram US$ 1,2 mi na Polymarket horas antes da ofensiva; congressistas dos EUA exigem investigação

Seis contas em plataformas de apostas registraram lucro de US$ 1,2 milhão nas horas anteriores ao ataque que matou o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, em Teerã. O padrão dos movimentos levantou suspeitas de uso de informação privilegiada sobre a operação militar.

A análise partiu da Bubblemaps, empresa especializada em rastreamento de blockchain. Nos dias seguintes, congressistas americanos passaram a cobrar investigações, questionando se mercados de apostas se tornaram veículos para lucrar com segredos militares de Estado.

O volume total movimentado é expressivo. Segundo a Reuters, apostas ligadas ao ataque dos EUA ao Irã totalizaram US$ 529 milhões na Polymarket. Outros US$ 150 milhões foram apostados em contratos específicos sobre a remoção de Khamenei do cargo de líder supremo. A concorrente Kalshi também mantinha um mercado sobre a hipótese de “Khamenei fora do poder”.

Congressistas exigem respostas

O deputado democrata Mike Levin, da Califórnia, foi um dos primeiros a reagir publicamente. “Mercados de previsão não podem ser um veículo para lucrar com conhecimento antecipado de ações militares. Precisamos de respostas, transparência e supervisão”, escreveu nas redes sociais.

Senadores democratas já haviam levantado alertas em 23 de fevereiro — antes dos ataques ao Irã — após um apostador misterioso lucrar cerca de US$ 410 mil com a queda do ditador venezuelano Nicolás Maduro. A preocupação era de que essas plataformas criavam incentivos para vazar informações sigilosas e estimular conflitos.

No mesmo período em que Trump exigia a rendição incondicional do Irã e estimava quatro a cinco semanas de conflito, apostadores passaram a precificar o fim da guerra na Polymarket — movendo milhões em contratos sobre a duração da ofensiva. EUA exigem rendição do Irã após uma semana de guerra sem fim à vista.

O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, reagiu às suspeitas afirmando que “o único interesse especial que orienta a tomada de decisões do governo Trump é o melhor interesse do povo americano”.

Como as plataformas responderam

A Polymarket não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters. A empresa argumenta, em geral, que mercados de previsão utilizam a sabedoria coletiva para criar previsões precisas e imparciais.

A Kalshi, plataforma regulada, afirmou que não permite apostas diretamente ligadas à morte de autoridades. O diretor-executivo Tarek Mansour disse que a empresa não lucrou com o mercado sobre Khamenei, após devolver taxas aos usuários.

A alta do petróleo — que o FMI já havia apontado como ameaça à economia global nos primeiros dias do conflito — tornou-se um dos principais sinais monitorados por apostadores para prever se Trump encerraria a guerra antes do esperado. FMI alerta que guerra no Irã coloca economia global sob pressão.

Regulação em zona cinzenta

Os mercados de previsão operam em área legal ambígua nos EUA. A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) perdeu uma batalha judicial ao tentar proibir apostas sobre eleições e agora planeja criar uma estrutura federal para supervisionar o setor. A legislação americana proíbe apostas contrárias ao interesse público — o que pode incluir guerra e assassinato.

Apesar das controvérsias, o setor registrou US$ 47 bilhões em volume global de negociações no ano passado, segundo analistas da corretora Clear Street, atraindo interesse crescente de grandes nomes de Wall Street.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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