A Agência Internacional de Energia (AIE) pediu, nesta segunda-feira (9), que os países do G7 liberem de forma coordenada suas reservas emergenciais de petróleo para estabilizar o mercado global.
O pedido foi revelado pela ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, após reunião online do grupo que reúne as sete maiores democracias do mundo.
A iniciativa visa apoiar o fornecimento global de energia e conter a escalada dos preços do barril, que atingiram os maiores níveis desde meados de 2022 — impulsionados pelo conflito envolvendo EUA, Israel e Irã.
A pressão sobre os estoques se acumula desde a primeira semana de guerra, quando o conflito já havia suspendido cerca de um quinto do fornecimento global e bloqueado o Estreito de Ormuz — rota de passagem de 20% do petróleo mundial —, elevando os preços a patamares não vistos desde meados de 2022.
A solicitação foi feita durante uma reunião de emergência do G7 convocada após o petróleo superar US$ 100 e as bolsas asiáticas despencarem mais de 5% com a escalada do conflito no Oriente Médio. A reunião contou também com representantes da OCDE, do Banco Mundial e do FMI.
Estoques do G7
Membros importadores líquidos da AIE são obrigados a manter reservas equivalentes a pelo menos 90 dias de importações de petróleo. Veja o que cada país do grupo tem estocado:
Estados Unidos — 415,4 milhões de barris na Reserva Estratégica de Petróleo e outros 439,3 milhões em reservas comerciais privadas.
Japão — 260 milhões de barris governamentais (equivalente a 146 dias de importações) e 180 milhões em estoques privados.
Alemanha — 110 milhões de barris de bruto e 67 milhões de derivados, liberáveis em poucos dias.
França — cerca de 120 milhões de barris no total, sendo 97 milhões geridos pela entidade estatal SAGESS.
Itália — reservas de aproximadamente 76 milhões de barris, equivalente a 90 dias de importações líquidas.
Reino Unido — 38 milhões de barris de bruto e 30 milhões de derivados, com parte dos estoques mantida no exterior via sistema de bilhetes da AIE.
O ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, adotou tom cauteloso ao comentar a proposta. "Todos estão acompanhando de perto os desdobramentos nos mercados financeiros, no comércio e nos mercados como um todo", disse. Para ele, a decisão de acionar os estoques dependerá da evolução do mercado da commodity.
"Veremos se e quando será o momento certo para seguir essa opção estratégica", completou Klingbeil — sinalizando que a liberação não é automática nem garantida.
O G7 deve realizar em breve uma reunião de ministros da energia para discutir novas medidas diante do cenário de pressão crescente sobre a oferta global.
O Canadá é o único país do G7 isento da obrigação de manter reservas estratégicas pela AIE, por ser um exportador líquido de petróleo. Quarto maior produtor mundial de petróleo bruto, o país bombeou mais de 5 milhões de barris por dia em dezembro, com a maior parte das exportações destinada aos Estados Unidos.