O presidente Donald Trump escalou sua retórica sobre a sucessão no Irã neste domingo (8) ao declarar que o próximo líder supremo do país “não vai durar muito” caso não tenha sua aprovação.
A afirmação coincidiu com a notícia, divulgada pela imprensa estatal iraniana, de que a Assembleia dos Especialistas já votou no novo guia supremo — e o nome deve ser anunciado em breve.
Pressão crescente de Washington
A declaração mais recente de Trump não surgiu do nada. Na quinta-feira (5), o presidente já havia declarado ao Axios que precisava se envolver pessoalmente na escolha — e vetou Mojtaba Khamenei, filho do líder assassinado Ali Khamenei, como candidato aceitável para Washington.
“O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irã. Eles estão perdendo tempo. O filho de Khamenei é um peso morto”, afirmou Trump na ocasião.
Em seguida, o presidente confirmou as declarações à agência Reuters, mas ponderou que ainda é cedo no processo de sucessão — e que Mojtaba pode nem ser o escolhido final. Washington, segundo Trump, quer participar da escolha de um líder “ótimo para o povo” iraniano.
“Não precisamos voltar a cada cinco anos e fazer isso de novo e de novo”, disse.
Porta-voz reforça presença americana no processo
Um dia antes das declarações ao Axios, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que relatórios recebidos pelo governo americano apontavam Mojtaba Khamenei como um dos principais candidatos à sucessão. Segundo ela, Trump e seus assessores discutem qual papel Washington poderá desempenhar no Irã após a campanha militar no país.
Trump também revelou, em entrevista à CNN Internacional na sexta-feira (6), que não se importa com o caráter democrático ou não do próximo governo iraniano. Para ele, o que importa é que o novo líder “trate bem” os Estados Unidos, Israel e os demais países do Oriente Médio.
“Precisa haver um líder que seja justo e correto, que trate bem os Estados Unidos e Israel e também os outros países do Oriente Médio”, afirmou.
O vácuo no poder em Teerã
A corrida pela sucessão foi aberta após Ali Khamenei morrer em bombardeios a Teerã no último dia 28. Desde então, a Assembleia de Especialistas operava há dias sob pressão extrema — o órgão declarou estar “perto de uma decisão” após ter sua sede atacada por Israel.
O colegiado, composto por 88 aiatolás, é o único órgão com autoridade para nomear o líder supremo do Irã. Sua decisão, agora anunciada como iminente, será a mais importante na política iraniana desde a Revolução de 1979.