O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (8) que se recusa a sancionar qualquer nova legislação enquanto o Congresso não aprovar o chamado SAVE America Act, projeto que impõe exigências de comprovação de cidadania para o registro de eleitores.
A declaração foi feita no Truth Social e representa uma pressão direta sobre o Legislativo às vésperas das eleições de meio de mandato previstas para novembro.
O SAVE America Act exigiria que cidadãos apresentem prova de cidadania ao se registrar para votar nas eleições legislativas. O texto ainda prevê penalidades criminais para autoridades eleitorais que registrarem eleitores sem a documentação exigida.
A Casa Branca apresenta a medida como forma de impedir que cidadãos estrangeiros interfiram nas eleições americanas — prática já proibida por lei, mas que Trump alega ter ocorrido nos últimos anos.
Na mesma publicação, o presidente elogiou o ativista conservador Scott Pressler, que defendeu no programa Fox & Friends o uso do filibuster — mecanismo que permite prolongar debates no Senado — para forçar a votação do projeto.
Promessa com brecha legal
A ameaça de Trump tem uma limitação constitucional relevante: se o presidente não agir sobre um projeto aprovado pelo Congresso em até 10 dias enquanto o Legislativo estiver em sessão, a medida vira lei automaticamente, mesmo sem assinatura presidencial.
Isso significa que a promessa pode não ter o efeito prático de bloquear legislações, caso Trump opte pela inação em vez de veto explícito.
Disputa eleitoral no horizonte
O contexto político amplifica a tensão em torno do projeto. Analistas independentes apontam os democratas como favoritos para retomar o controle da Câmara nas eleições de novembro — o que tornaria os dois últimos anos do governo Trump politicamente muito mais turbulentos.
Republicanos reconhecem a pressão: uma série de derrotas em eleições especiais recentes acendeu o alerta dentro do partido sobre a viabilidade eleitoral da sigla.
Democratas, por sua vez, rejeitam o projeto e afirmam que ele tem como objetivo real restringir o acesso ao voto e prejudicar suas chances eleitorais, não combater fraudes. A oposição deve dificultar a aprovação do texto no Senado, onde regras como o filibuster podem ser usadas pelos próprios democratas para barrar a votação.