O presidente dos EUA, Donald Trump, admitiu neste domingo (8) que poderia enviar tropas terrestres ao Irã — mas condicionou qualquer decisão à existência de um “motivo muito bom”.
A declaração foi feita a bordo do avião presidencial, em resposta a jornalistas que questionavam em quais circunstâncias Washington consideraria uma intervenção no território iraniano.
“Poderia haver um [envio]? Possivelmente, por um motivo muito bom. Tem que haver um motivo muito bom. E eu diria que, se algum dia fizermos isso, eles seriam tão dizimados que não seriam capazes de lutar em terra”, afirmou Trump durante o voo.
A declaração representa uma virada na postura americana. Dois dias antes, em entrevista à NBC, Trump havia descartado categoricamente o envio de tropas terrestres — postura que agora cede espaço a uma possibilidade condicionada a um “bom motivo”.
A abertura ocorre em meio a tensões crescentes. O chanceler iraniano Abbas Araghchi havia desafiado Washington publicamente horas antes: “Estamos esperando suas tropas terrestres — assim podemos confrontá-los”, declarou o diplomata iraniano.
Trump não especificou quais seriam os “bons motivos” que justificariam uma operação terrestre no Irã, nem apresentou prazo ou cenário concreto para a decisão.
A ameaça de “dizimar” o Irã em combate territorial adiciona uma camada de retórica que pode complicar negociações diplomáticas em andamento, ao mesmo tempo em que mantém a pressão militar como instrumento central da política externa americana.
O Irã, por sua vez, tem respondido ao endurecimento de Washington com postura igualmente beligerante. Autoridades militares e diplomáticas do país têm sinalizado preparo para um conflito prolongado, caso as tensões se aprofundem — reforçando o impasse que marca as relações entre os dois países nos últimos meses.