O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta segunda-feira (9) o sul-africano Cyril Ramaphosa no Palácio do Planalto. A agenda prevê a assinatura de ao menos três acordos nas áreas de turismo, comércio, investimento e cultura.
A visita integra a estratégia brasileira de diversificar parceiros comerciais diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. No ano passado, o intercâmbio entre os dois países somou US$ 2,2 bilhões — volume considerado aquém do potencial pelo governo Lula.
Ramaphosa desembarcou em Brasília acompanhado de uma comitiva de empresários sul-africanos. A programação prevê reunião fechada no Planalto pela manhã, seguida de declaração conjunta à imprensa. À tarde, Lula oferece almoço no Palácio do Itamaraty e, em seguida, ocorre um encontro entre empresários dos dois países.
O convite foi feito pelo próprio Lula durante reunião bilateral em Joanesburgo, no ano passado, quando o presidente participava da cúpula de chefes de Estado do G20 no continente africano.
Comércio bilateral tem espaço para crescer
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e África do Sul alcançou US$ 2,2 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 1,5 bilhão. Auxiliares de Lula avaliam que o número está abaixo do que a relação entre as duas economias poderia render.
Com Lula deliberadamente excluído da cúpula do “Escudo das Américas” montada por Trump em Doral, o governo brasileiro acelerou a busca por parceiros alternativos — e a visita de Ramaphosa é o movimento mais recente dessa estratégia de diversificação.
Rota pelo Sul Global
A visita sul-africana se insere em uma sequência de movimentos diplomáticos do governo Lula para ampliar o rol de parceiros comerciais. Em fevereiro, o petista visitou Índia e Coreia do Sul com objetivos similares — sinalizando um giro estratégico consistente em direção ao Sul Global.
Os acordos previstos para esta segunda abrangem turismo, comércio e investimento, e cultura — áreas em que Brasil e África do Sul têm sinergia histórica, especialmente via BRICS e G20, blocos dos quais ambos os países são membros.
O governo avalia que há espaço para avançar em setores como agronegócio, energia e infraestrutura, mas os detalhes dos acordos só devem ser divulgados após a assinatura e a declaração conjunta dos presidentes.