Um ataque israelense atingiu um hotel no centro de Beirute neste domingo (8), matando ao menos quatro pessoas e ferindo outras dez, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.
O exército de Israel afirmou que o alvo era a Força Quds, unidade de elite do Corpo da Guarda Revolucionária do Irã, cujos comandantes estariam operando a partir do território libanês para planejar ações contra Israel.
O hotel atingido abrigava pessoas deslocadas que fugiam dos combates no sul do Líbano e nos subúrbios de Beirute. Segundo a Reuters, moradores foram vistos abandonando o prédio com medo de novos ataques aéreos após a explosão.
Horas depois, novas detonações ecoaram nos subúrbios do sul de Beirute, com grandes colunas de fumaça visíveis a partir de Baabda, cidade vizinha da capital.
O que disse o exército israelense
Em nota, o exército de Israel afirmou que os comandantes alvejados atuavam para “promover ataques terroristas contra o Estado de Israel e seus civis”, enquanto simultaneamente operavam em nome da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã a partir do Líbano.
Este é o primeiro ataque israelense diretamente à capital libanesa desde que as tensões com o Hezbollah voltaram a escalar. O grupo extremista, apoiado pelo Irã, disparou foguetes e drones contra Israel no dia 2 de março, desencadeando uma série de retaliações israelenses em território libanês.
A ofensiva contra o hotel ocorre poucos dias depois de Israel afirmar ter eliminado Daoud Ali Zadeh, descrito como o principal comandante da Força Quds do Irã no Líbano, em uma operação realizada em Teerã, capital iraniana.
Escalada humanitária em Beirute
O Líbano foi formalmente arrastado para o conflito a partir de 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes e drones em direção a Israel. A resposta israelense veio com ataques aéreos intensos em diversas regiões do país.
Atingir o centro de Beirute — e especificamente um hotel com civis deslocados internamente — marca uma mudança no padrão dos bombardeios israelenses, que até então se concentravam no sul do Líbano e nos subúrbios da capital. A ação aprofunda a crise humanitária em curso e aumenta a pressão sobre a já fragilizada infraestrutura de acolhimento de refugiados internos no país.