Economia

Guerra EUA-Irã ameaça 25% das exportações brasileiras de frango

Cepea-USP alerta para risco de suspensão de embarques e desafios de redirecionar produção ao mercado interno

O setor avícola brasileiro entrou em alerta com a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Segundo análise do Cepea, centro de pesquisa da USP em Piracicaba, a região responde por 25% dos embarques nacionais de frango e pode suspender novas compras.

O impacto chega num momento desfavorável: em fevereiro de 2026, o preço do frango vivo atingiu o menor patamar real desde maio de 2024, com média de R$ 5,04 o quilo no estado de São Paulo.

Oriente Médio concentra um quarto das exportações de frango

Em 2025, o Oriente Médio absorveu 25% de todos os embarques brasileiros de carne de frango — uma fatia expressiva que hoje está sob ameaça direta. Os países da região compram principalmente frango inteiro, produto de alto volume que depende de rotas específicas de exportação.

Diante das incertezas geradas pela guerra, avicultores consultados pelo Cepea já avaliam redirecionar a produção para outros mercados internacionais. A alternativa, contudo, não é simples: substituir um destino da magnitude do Oriente Médio exige tempo, negociação e abertura de novas janelas comerciais.

O conflito já vinha pressionando outros elos da cadeia agropecuária brasileira: fertilizantes como ureia subiram US$ 39 em 24 horas e o frete marítimo encareceu, elevando os custos de produção no campo.

Queda de preços agrava vulnerabilidade do setor

Fevereiro de 2026 foi o quarto mês consecutivo de retração no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja. O frango vivo acumulou queda de 2,1% em relação a janeiro, com preço médio de R$ 5,04 o quilo até o dia 25 daquele mês — o menor nível real desde maio de 2024, descontado pelo IGP-DI.

Os preços do milho seguem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta, pressionando ainda mais as margens dos produtores.

Mercado interno como válvula de escape — e seus limites

Se as exportações forem inviabilizadas pelo conflito, uma das saídas seria redirecionar o frango ao consumo doméstico. A lógica faz sentido em termos de volume, mas o Cepea ressalta que a operação enfrenta barreiras concretas.

Avicultores relatam que a reconversão exigiria adaptações em embalagens, etiquetas e processos de distribuição — custos adicionais num setor já pressionado pela baixa rentabilidade. O comércio exterior também envolve questões logísticas, legais e fitossanitárias que dificultam o redirecionamento imediato da proteína.

Economistas alertam que o impacto do conflito pode chegar ao consumidor final nos próximos meses, encarecendo os alimentos no Brasil. Os custos de produção agrícola já subiram em menos de uma semana desde o início da guerra — e a cadeia do frango, altamente dependente de insumos e frete, tende a absorver esse choque com rapidez.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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