O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom sobre dois fronts em uma única quinta-feira (5): declarou que uma ofensiva em Cuba é ‘questão de tempo’ e afirmou que precisa se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder supremo do Irã.
A fala sobre Cuba foi feita durante cerimônia em homenagem ao Inter Miami, campeão da MLS. Já as declarações sobre o Irã foram dadas ao site Axios e depois confirmadas à agência Reuters.
Cuba: ‘ela quer muito fechar um acordo’
Trump afirmou que Cuba deseja muito fechar um acordo, mas deixou claro que não está disposto a grandes negociações. Uma semana antes, o republicano já havia sugerido uma ‘tomada de controle amigável’ da ilha.
A pressão americana sobre Havana escalou nas semanas anteriores. Dez dias antes do discurso, o secretário de Estado Marco Rubio havia declarado que Cuba precisava de uma ‘mudança radical’. Mesmo assim, os EUA flexibilizaram, por ‘razões humanitárias’, as restrições às exportações de petróleo para a ilha, que atravessa grave crise econômica agravada pelo bloqueio imposto por Washington.
Na mesma quinta-feira, após 16 horas de apagão que atingiu dois terços do território cubano, o governo de Havana anunciou que restabeleceu a rede elétrica nacional — sinal da fragilidade estrutural que o isolamento econômico aprofunda.
Irã: intervenção na sucessão e operação à frente do cronograma
Sobre o Irã, Trump disse considerar inaceitável que Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo Ali Khamenei, assuma o cargo. Para o republicano, um sucessor que dê continuidade às políticas do pai forçaria os EUA a retornar à guerra ‘em cinco anos’.
Em conversa com a Reuters, Trump recuou ligeiramente, classificando Mojtaba como escolha ‘improvável’ dado o estágio inicial do processo de sucessão — mas manteve a postura de interferência direta na definição do próximo líder.
O presidente também garantiu que o Estreito de Ormuz permanecerá aberto, contrariando ameaças da Guarda Revolucionária iraniana, que prometeu incendiar qualquer embarcação que cruzar o local. Segundo Trump, a operação militar no Irã está à frente do cronograma, embora sem data fechada para o encerramento.
Um dia antes das declarações de Trump, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, já havia revelado que relatórios recebidos pelo governo americano apontavam o filho de Khamenei como principal candidato ao cargo — antecipando o que o próprio presidente confirmaria horas depois em duas entrevistas separadas.
A Casa Branca confirmou que Trump e seus assessores já debatem qual papel Washington exercerá no Irã quando os bombardeios cessarem — uma discussão que Leavitt tornou pública na mesma semana. Leia mais sobre o planejamento americano para o pós-guerra no Irã.
Nos dias seguintes, a pressão sobre a sucessão iraniana se intensificou: o republicano formalizou o veto a Mojtaba e exigiu participação direta na definição do novo líder supremo. Veja os nomes cotados para suceder Khamenei.