A Rússia tem fornecido ao Irã informações sobre a localização de navios de guerra e aeronaves dos Estados Unidos no Oriente Médio, segundo o jornal The Washington Post. Os dados seriam usados para orientar os ataques iranianos contra forças norte-americanas na região.
Três fontes consultadas pelo veículo afirmam que Moscou iniciou o repasse desde o começo do conflito, deflagrado após EUA e Israel bombardearem território iraniano e matar o líder supremo Ali Khamenei.
Desde então, o Irã realiza ataques retaliatórios contra equipamentos e bases dos EUA em países como Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Emirados Árabes e Omã.
Moscou nos bastidores da retaliação iraniana
A revelação reforça o papel da Rússia como principal aliada do Irã e expõe o envolvimento indireto de Moscou num conflito que já mobiliza múltiplas forças regionais. Oficialmente, o Kremlin tem repudiado os ataques norte-americanos e israelenses contra território iraniano — mas os dados de inteligência repassados sugerem uma postura bem mais ativa nos bastidores.
Desde o início da guerra, o Irã expandiu sua campanha para além das fronteiras israelenses. Os ataques iranianos contra Kuwait, Catar e outros países do Golfo — exatamente os tipos de alvos que a Rússia estaria ajudando a localizar — já se multiplicavam desde o quinto dia do conflito, quando Teerã ampliou a resposta regional.
Nesta sexta-feira, o Exército iraniano anunciou ataques à base de Ali Al-Salem, no Kuwait, com vídeos nas redes sociais registrando fogo e fumaça na instalação. O regime prometeu intensificar os bombardeios para aumentar a pressão contra Washington.
Os EUA mantêm 19 bases militares no Oriente Médio, sendo cinco delas no Kuwait — o país com maior concentração de instalações norte-americanas na região. As forças dos EUA também têm acesso a instalações em Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã.
Rivalidade global se materializa no campo de batalha
O envolvimento russo revela como o conflito no Oriente Médio tornou-se mais um teatro da disputa entre as grandes potências. Enquanto Moscou alimenta o Irã com dados de inteligência sobre posições norte-americanas, os EUA recorreram à Ucrânia em busca de apoio técnico contra os drones iranianos — expondo como o conflito já mobiliza as duas grandes potências rivais por procuração.
A dinâmica esboça uma guerra de geometria variável: de um lado, EUA e Ucrânia; do outro, Rússia e Irã — alianças forjadas no conflito ucraniano agora projetadas para uma nova frente no Golfo Pérsico.
O Washington Post não identificou as fontes por razões de segurança. O Kremlin não comentou as revelações. A Casa Branca também não se manifestou oficialmente sobre as informações até o fechamento desta reportagem.
Com o Irã prometendo novos ataques e Moscou sinalizando suporte nos bastidores, o conflito no Oriente Médio entra numa fase em que inteligência militar e operações de campo caminham juntas — ampliando o risco de que o que começou como confronto bilateral ganhe contornos de crise global.