O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, negou nesta sexta-feira (6) que a comissão tenha divulgado qualquer material sigiloso envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal.
A declaração foi uma resposta à nota do ministro Alexandre de Moraes, que apontou a CPMI como origem dos prints de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — distribuídos à imprensa horas antes de sua prisão, em novembro de 2025.
O que diz Moraes — e o que diz Viana
Na nota divulgada na sexta, Moraes afirmou que os prints atribuídos a Vorcaro, com mensagens enviadas em 17 de novembro de 2025, horas antes de sua prisão, estão vinculados a pastas de outros contatos e não constam como direcionados a ele. O ministro também declarou que os nomes e contatos das pessoas ligadas aos arquivos foram tornados públicos pela própria CPMI do INSS.
Em resposta, Viana disse que a comissão sempre atuou dentro dos limites legais e regimentais e que é preciso identificar com precisão a origem desses documentos.
A versão da Polícia Federal
Uma reportagem publicada na madrugada de sexta pelo blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, havia trazido novos prints das mensagens atribuídas a Vorcaro enviadas a Moraes horas antes da prisão do banqueiro.
Na noite do mesmo dia, O Globo informou que os dados foram obtidos por análise técnica da Polícia Federal, por meio de um software específico capaz de exibir simultaneamente a tela do WhatsApp e as imagens de visualização única — revertendo, na prática, a proteção da mensagem.
Segundo o jornal, esse material é distinto do enviado à CPMI do INSS, e os prints obtidos pela PF trazem o número e o nome do ministro identificados e conferidos pela redação.
A declaração de Viana ocorre em meio a uma pressão institucional crescente. O ministro André Mendonça havia aberto inquérito na Polícia Federal para investigar se a CPMI do INSS foi a origem do vazamento dos dados sigilosos que chegaram à imprensa — apuração que coloca a comissão diretamente no centro das suspeitas.
O episódio gira em torno de duas versões distintas do material sobre as mensagens de Vorcaro. O STF afirmou que os prints disponibilizados pela CPMI à imprensa não constam como mensagens direcionadas a Alexandre de Moraes, sustentando a versão do ministro de que os documentos foram descontextualizados.
Por outro lado, a extração feita pela PF com software especializado produziu um material distinto, no qual o número e o nome de Moraes aparecem associados às mensagens de Vorcaro, segundo O Globo. A divergência entre os dois conjuntos de documentos deve aprofundar as disputas entre o Congresso e o STF nos próximos dias.