Os preços do petróleo registraram a maior valorização semanal em anos, impulsionados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz após o conflito no Oriente Médio paralisar o fornecimento de hidrocarbonetos do Golfo Pérsico.
O barril de Brent fechou sexta-feira (6) em US$ 92,69, com alta de 27,88% na semana. O equivalente americano, o WTI, encerrou em US$ 90,90, acumulando 35,63% no período — mais de US$ 20 a mais por barril em apenas algumas sessões.
A aceleração das cotações nesta sexta-feira foi agravada por declarações do presidente americano Donald Trump, que exigiu uma “capitulação” do Irã — país que, além de produtor relevante, controla o acesso ao Estreito de Ormuz.
O gatilho da disparada foi o fechamento formal do Estreito de Ormuz pelo Irã, anunciado como retaliação aos ataques americanos e israelenses. O movimento tirou de imediato 20% do petróleo mundial de circulação e desencadeou a escalada de preços observada ao longo da semana.
De risco geopolítico a impacto operacional
Os economistas do JPMorgan descreveram uma mudança de percepção: “O mercado está passando de uma avaliação puramente geopolítica dos riscos a levar em conta perturbações operacionais tangíveis.” Para Giovanni Staunovo, analista do UBS, “a cada dia em que o Estreito de Ormuz permanece fechado, o mercado petrolífero fica mais tenso.”
O impacto já é concreto: o Iraque reduziu seu fornecimento em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, e o Kuwait atingiu os limites de armazenamento, fechando praticamente toda sua capacidade de refino voltada à exportação. Na quinta-feira, cerca de 300 petroleiros aguardavam paralisados na região enquanto o JPMorgan alertava que o bloqueio poderia retirar 3,3 milhões de barris por dia do mercado.
Fora do Oriente Médio, a China pediu às principais refinarias que suspendam exportações de diesel e gasolina para preservar estoques domésticos. Os Estados Unidos autorizaram por um mês o fornecimento à Índia de petróleo russo sob sanções — medida emergencial enquanto o conflito compromete o abastecimento de Nova Délhi.
A Marinha americana confirmou que escoltará navios mercantes que tentarem cruzar o Estreito de Ormuz “assim que for razoável”, segundo o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. Os analistas da Eurasia Group, porém, foram cautelosos: a escolta “pode facilitar a retomada do tráfego, mas não ao nível de antes da guerra.”
Ole R. Hvalbye, analista do SEB, descreveu o momento como inédito em escala: “Já vi esse tipo de situação antes, mas essa está começando a adquirir proporções dramáticas.” Sua preocupação central são as consequências de longo prazo — “em particular a eclosão de uma recessão econômica.”
Estoques seguram a pressão, mas por quanto tempo?
A reação do mercado tem sido descrita como “moderada” por Jason Gabelman, da TD Cowen, graças a estoques saudáveis que “poderiam cobrir até um mês de fechamento” do Ormuz. Mesmo assim, desde o início do ano, o barril acumula alta superior a US$ 30.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, analistas já projetavam que o barril poderia atingir US$ 100 caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongasse — e o patamar que parecia remoto há duas semanas é agora discutido como possibilidade concreta.