A Petrobras encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 110,1 bilhões, alta de 200,8% na comparação anual. O resultado foi divulgado pela estatal e comentado pela presidente Magda Chambriard em entrevista à Reuters.
O desempenho foi sustentado por aumento de produção, vendas e exportações, além de maior eficiência operacional — mesmo com o preço médio do barril de petróleo recuando para US$ 70 em 2025, abaixo do registrado em 2024.
Desafio ao mercado e cautela nos preços
“Quem apostar contra a Petrobras vai perder”, afirmou Chambriard à Reuters ao comentar os resultados, sinalizando confiança na estatal diante de investidores céticos.
A CEO disse que a empresa acompanha o comportamento do mercado internacional de petróleo antes de qualquer decisão sobre repasse de preços. O setor vive uma disparada desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã.
A pressão tem origem geopolítica: desde que o Irã fechou o Estreito de Ormuz e o barril do Brent superou US$ 82, a defasagem do diesel da Petrobras cresceu. Relatório do Goldman Sachs enviado a clientes em 5 de março apontou que o preço praticado pela estatal está cerca de 30% abaixo da referência internacional.
Segundo o banco, é a maior defasagem observada desde 2022 — o que representa um risco crescente caso o conflito prolongue a pressão sobre o petróleo.
Distribuidoras antecipam reajuste sem esperar a Petrobras
Mesmo sem alteração nos preços da estatal — que responde por cerca de 70% do abastecimento no Brasil —, algumas distribuidoras de combustíveis já teriam repassado altas aos postos. O alerta veio da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis).
O movimento ocorre em paralelo ao crescimento das exportações que sustentou o balanço recorde. O petróleo foi o principal responsável pelo superávit de US$ 4,2 bilhões na balança comercial brasileira em fevereiro, revelando como o mesmo produto que pressiona os preços internos impulsiona os resultados externos da Petrobras.