O conflito entre Afeganistão e Paquistão chegou aos dez dias com um balanço devastador: 56 civis afegãos mortos, quase metade deles crianças, e 129 feridos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pela ONU.
O chefe de direitos humanos da organização, Volker Türk, pediu que todas as partes ponham fim imediato às hostilidades, intensificadas desde 26 de fevereiro.
Como o conflito escalou
As hostilidades se intensificaram em 26 de fevereiro, quando o Afeganistão lançou uma ofensiva fronteiriça em resposta a ataques aéreos paquistaneses anteriores. Islamabad reagiu com novos bombardeios, atingindo alvos estratégicos: a antiga base aérea americana de Bagram, a capital Cabul e a cidade meridional de Kandahar.
Entre os 56 mortos confirmados pela ONU estão 24 crianças e seis mulheres. Dos 129 feridos, 41 são crianças e 31, mulheres — um perfil que evidencia o impacto desproporcional sobre a população civil não combatente.
Os números acumulados desde o início de 2026 são ainda mais graves: 69 civis mortos e 141 feridos no lado afegão. A sequência de bombardeios em áreas urbanas como Cabul e Kandahar elevou rapidamente o custo humano da disputa fronteiriça.
O Paquistão nega categoricamente ter matado civis no conflito. As informações de ambos os lados são de difícil verificação independente, transformando os balanços de baixas em mais um campo de disputa diplomática entre os dois países.
O impacto humanitário já extrapola os combates diretos: a agência da ONU para refugiados informou que cerca de 115 mil afegãos e 3 mil pessoas no Paquistão foram deslocados pelos combates apenas na última semana.
Türk reiterou o apelo em comunicado oficial, pedindo encarecidamente que todas as partes cessem as hostilidades. A crise representa um dos episódios mais graves na relação entre os dois países, que compartilham uma das fronteiras mais tensas da Ásia Central.