O Irã respondeu com provocação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após ele sinalizar que a Marinha americana poderia escoltar petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, Alimohammad Naini, convidou ironicamente as forças dos EUA a se fazerem presentes na hidrovia estratégica — e lembrou o incêndio do superpetroleiro Bridgeton, em 1987, como advertência velada.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (6) pela mídia estatal iraniana, dias após ataques dos EUA e de Israel ao Irã provocarem bloqueio na rota de energia considerada vital para o mercado global.
Desafio iraniano após ameaça de Trump
Na terça-feira, Trump afirmou que a Marinha dos EUA poderia iniciar escoltas a navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz “se necessário”. A resposta iraniana não tardou.
“O Irã saúda veementemente a escolta dos petroleiros e o fato de que as forças dos EUA estarão presentes na travessia do Estreito de Ormuz. E, a propósito, estamos aguardando sua presença”, disse Naini, segundo a mídia estatal.
O porta-voz completou com um aviso de tom histórico: “Recomendamos que, antes de tomar qualquer decisão, os norte-americanos se lembrem do incêndio do superpetroleiro norte-americano Bridgeton em 1987 e dos navios petroleiros que foram alvos recentes.”
Bloqueio na hidrovia estratégica
Desde que os EUA e Israel iniciaram ataques ao Irã no sábado, pelo menos nove navios foram atacados na região. A Guarda Revolucionária chegou a ordenar que embarcações não cruzassem a hidrovia.
O conflito no Oriente Médio já interrompeu o transporte marítimo e as exportações de energia através do Estreito de Ormuz, rota considerada vital para o escoamento do petróleo mundial.
Referência ao Bridgeton: um recado do passado
A menção ao superpetroleiro Bridgeton não foi retórica vazia. Ao resgatar o episódio de 1987, Naini sinalizou que o Irã tem repertório — e disposição de agir — caso os EUA concretizem a escolta naval no Estreito.
O porta-voz também citou os “navios petroleiros que foram alvos recentes” como demonstração da capacidade operacional da Guarda Revolucionária na hidrovia. A mensagem implícita é direta: a presença americana não seria garantia de passagem segura.
Com a Guarda proibindo o cruzamento do Estreito e pelo menos nove embarcações já atacadas desde sábado, o impasse coloca em xeque o fluxo de exportações de energia por uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta — e eleva o risco de uma escalada direta entre Teerã e Washington.