O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu nesta sexta-feira (6) a sua atuação nas investigações da fraude bilionária do Banco Master e rebateu as críticas do ministro André Mendonça, do STF.
Gonet afirmou que o Ministério Público não pode agir de forma “imponderada” e que a gravidade de um crime, por si só, não basta para justificar qualquer medida cautelar — em resposta direta ao relator do inquérito no Supremo.
O conflito com Mendonça
A tensão entre a PGR e o STF teve origem na 3ª fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça criticou publicamente a Procuradoria após Gonet dizer que não via urgência no caso e pedir mais prazo para se manifestar, classificando a postura de “lamentável”.
Em nota, o procurador-geral reafirmou que a análise de casos pelo Ministério Público “não pode ser considerada uma formalidade vazia de importância” e que não cabe à instituição agir sem a devida ponderação. A “boa jurisprudência do STF”, segundo Gonet, ensina que a gravidade do delito, por si mesma, não basta para justificar toda e qualquer medida cautelar.
O caso do ‘Sicário’
Para embasar o argumento da cautela, Gonet citou um episódio ocorrido durante a própria operação: a tentativa de suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, logo após ser preso pela Polícia Federal. Ele é apontado como um dos homens contratados por Vorcaro para monitorar e atacar adversários.
“O impacto de certas providências cautelares de ordem penal sobre valores fundamentais pode ser exemplificado no evento ocorrido durante a operação realizada”, afirmou o procurador-geral, reforçando que a urgência não pode sobrepor a responsabilidade institucional.
A disputa expõe uma fissura rara entre dois pilares do sistema de persecução penal brasileiro. Enquanto Gonet insiste na necessidade de análise criteriosa antes de medidas extremas, o STF sinaliza que a urgência do caso não admite morosidade — e age em consequência.
O caso Banco Master tornou-se um dos maiores embates institucionais da Justiça brasileira em 2026, e o desentendimento público entre o chefe do Ministério Público Federal e um ministro do Supremo Tribunal Federal adiciona uma camada inédita de tensão ao processo.