Economia

Exportações de veículos caem 28% com retração da Argentina em 2026

Anfavea registra menor bimestre em anos; México atenua tombo com alta de 318%

As exportações brasileiras de veículos recuaram 28% no primeiro bimestre de 2026, segundo a Anfavea. Foram 59,4 mil unidades embarcadas entre janeiro e fevereiro, contra 82,4 mil no mesmo período de 2025.

A Argentina, que no ano passado foi o principal motor das vendas externas, agora reverte o ciclo. Os emplacamentos no país caíram 37% em fevereiro ante janeiro, reflexo das incertezas geradas pelas reformas do presidente Javier Milei.

Argentina: de motor a freio

Em 2025, a Argentina respondeu por 302 mil das 528 mil unidades exportadas pelo Brasil — mais da metade do total —, com alta de 85% em relação ao ano anterior. O desempenho argentino foi o principal responsável pelo crescimento de 32% nas exportações brasileiras naquele ano.

Agora, o quadro se inverteu. Os embarques para o país vizinho recuaram de 15,6 mil para 14,4 mil unidades no bimestre, queda de 7,5%. O encolhimento do mercado reflete as reformas liberalizantes do governo Milei, que geraram incerteza nos consumidores e derrubaram a demanda por veículos importados.

México e Chile compensam parcialmente

O destaque positivo do período foi o México, cujas importações de veículos brasileiros saltaram 318% em fevereiro — de 2,2 mil para 9,1 mil unidades. O Chile também avançou 34,1%, passando de 1,6 mil para 2,2 mil unidades. O crescimento nesses mercados, porém, não foi suficiente para compensar a retração argentina.

Mercado interno: estabilidade com assimetrias

No Brasil, as vendas totalizaram 355,7 mil unidades no bimestre, queda marginal de 0,1% frente a 2025. O número esconde desequilíbrios: automóveis e comerciais leves subiram 1,8%, de 334,1 mil para 340,1 mil unidades, enquanto caminhões e ônibus despencaram 29,4%, de 22,1 mil para 15,6 mil.

A queda no segmento pesado se insere num quadro macroeconômico adverso mais amplo. A Selic elevada ao longo de 2025 freou o PIB brasileiro ao menor crescimento desde a pandemia, e os reflexos na indústria pesada seguem se acumulando.

A produção de veículos no bimestre somou 338 mil unidades, recuo de 8,9% ante os dois primeiros meses de 2025. Em sentido contrário, a média diária de vendas em fevereiro foi de 10,3 mil veículos — a segunda melhor dos últimos dez anos.

A eletrificação avança mesmo em cenário adverso. Os veículos eletrificados acumularam 28,1 mil unidades vendidas no bimestre, com 43% de origem nacional — dado que o presidente da Anfavea atribui aos investimentos em tecnologia anunciados pelas montadoras nos últimos anos.

Na frente monetária, a taxa Selic segue como variável central para a recuperação do setor. O Comitê de Política Monetária sinalizou trajetória de corte, mas a Anfavea estima que o mercado leva em média sete meses para sentir o efeito dos ajustes. O presidente da entidade, Calvet, projeta respostas apenas para o início de 2027.

No cenário externo, a guerra no Oriente Médio entra no radar da indústria automotiva. A Anfavea monitora o impacto do conflito sobre os preços do petróleo e a cadeia logística, embora Calvet descarte, por ora, qualquer risco de desabastecimento de componentes e matérias-primas. O mesmo conflito que pressiona a logística automotiva pode, paradoxalmente, beneficiar o Brasil nas exportações de petróleo caso o bloqueio do Estreito de Ormuz se prolongue.

O horizonte para o restante de 2026 permanece incerto: a recuperação das exportações depende do ritmo dos cortes de juros, da estabilização do mercado argentino e da trajetória do conflito no Oriente Médio.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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