O governo federal prendeu 5.238 pessoas entre fevereiro e março de 2026 em duas operações nacionais de combate à violência contra mulheres e meninas.
A Operação Mulher Segura, coordenada pelo Ministério da Justiça, e a Alerta Lilás, da Polícia Rodoviária Federal, percorreram municípios e rodovias do país em ações simultâneas.
Ambas integram o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, firmado em 4 de fevereiro de 2026 por Executivo, Legislativo e Judiciário.
Quase 5 mil detidos na Operação Mulher Segura
Realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março, a operação resultou em 3.199 prisões em flagrante. Outras 1.737 pessoas com mandado em aberto por descumprimento de medida protetiva de urgência também foram detidas.
Das 5.238 pessoas presas, 1.737 tinham mandado em aberto por descumprimento de medida protetiva — falha que, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, já resultou na morte de 148 mulheres em 2024 mesmo com proteção judicial ativa.
Ao todo, 38.564 policiais civis e militares foram mobilizados e realizaram 42.339 diligências. O Ministério da Justiça investiu R$ 2,6 milhões no pagamento de diárias aos agentes envolvidos.
A operação chegou a 2.050 cidades — alcance que ganha dimensão diante de dados que mostram metade dos feminicídios ocorrendo em municípios do interior, onde mais de 70% das cidades não contam com nenhum serviço especializado de atendimento à mulher.
Alerta Lilás nas rodovias federais
Em paralelo, a PRF conduziu a Alerta Lilás entre 9 de fevereiro e 5 de março, com reforço na fiscalização das rodovias federais. A ação resultou em 302 prisões entre flagrantes e cumprimento de mandados de prisão.
Pacto dos Três Poderes e medidas estruturais
As operações fazem parte de um plano mais amplo que reúne Executivo, Legislativo e Judiciário em torno de metas concretas para reduzir o feminicídio no país. O foco está tanto na responsabilização de agressores quanto na proteção preventiva às vítimas.
Entre as ações previstas estão mutirões nacionais para cumprimento de mandados contra agressores, aceleração na concessão e monitoramento de medidas protetivas de urgência e ampliação da integração entre órgãos de segurança e justiça.
O plano também prevê a criação de um Centro Integrado Mulher Segura para monitoramento de dados, implantação de unidades móveis de atendimento a mulheres em situação de violência e iniciativas educativas de prevenção à violência de gênero, além da ampliação da rede de acolhimento em todo o país.
Canal de atendimento disponível 24 horas
Mulheres em situação de violência podem acionar a Central de Atendimento à Mulher pelo Ligue 180, disponível em qualquer ponto do Brasil, ou pelo WhatsApp (61) 9610-0180. Situações de emergência devem ser comunicadas à Polícia Militar pelo número 190.