O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o cunhado Fabiano Zettel chegaram na tarde desta quarta-feira (4) à Justiça Federal em São Paulo para a audiência de custódia.
O procedimento vai definir se a prisão preventiva de ambos será mantida, se ganham liberdade provisória ou se ficam sujeitos a medidas cautelares.
Eles chegaram em comboio de três viaturas descaracterizadas e entraram pela portaria lateral do prédio, saindo da Superintendência da Polícia Federal em veículo sem identificação externa.
Vorcaro foi preso nesta quarta pela Polícia Federal como parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master — um esquema que, segundo a PF, envolve corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos informáticos por organização criminosa.
O nome da operação é uma referência à ausência de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta e manipulação de mercado.
A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em sua primeira decisão como relator do caso — posto que assumiu no mês passado.
Outros alvos e bloqueio bilionário
Além de Vorcaro, foram alvos da operação o coordenador de segurança Luiz Phillipi Mourão, apelidado de “Sicário”, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Fabiano Zettel se apresentou espontaneamente à PF.
A Justiça determinou afastamento de cargos públicos e bloqueio de bens de até R$ 22 bilhões, para interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado.
É a segunda vez que Vorcaro é detido pela Operação Compliance Zero — na primeira, em novembro de 2025, ele foi flagrado tentando embarcar para a Europa em um jatinho particular em Guarulhos, mas foi solto por decisão do TRF-1. Leia mais sobre a primeira prisão do dono do Banco Master.
As defesas de ambos negaram as acusações. O advogado de Vorcaro afirmou que ele “sempre esteve à disposição das autoridades” e “jamais tentou obstruir o trabalho da Justiça”, reiterando confiança no devido processo legal. A defesa de Zettel declarou que ele está “à inteira disposição das autoridades”, mesmo sem ter tido acesso ao objeto das investigações.
CPI, CAE e próximos passos no STF
Vorcaro era esperado para depor nesta quarta à CPI do Crime Organizado, em Brasília, mas havia sinalizado que compareceria apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O ministro Mendonça havia decidido na véspera que a presença na CPI seria facultativa.
A audiência de custódia pode não ser a última palavra: a Segunda Turma do STF já marcou para 13 de março a análise da decisão de Mendonça que ordenou a prisão. Entenda o que está em jogo no julgamento da Segunda Turma.