Imagens de satélite analisadas pelo serviço de verificação BBC Verify mostram que os ataques combinados de Estados Unidos e Israel destruíram ou danificaram pelo menos 11 navios da Marinha iraniana desde 28 de fevereiro.
As operações também atingiram bases de mísseis e instalações do programa nuclear do Irã, incluindo o complexo de Natanz.
O chefe do Comando Central americano (Centcom) afirmou que 17 embarcações iranianas foram destruídas — entre elas o principal submarino operacional do país.
Frota desmantelada: o que as imagens revelam
Fumaça saindo de múltiplas embarcações foi registrada nas bases navais de Konarak, no sudeste iraniano, e de Bandar Abbas — no Estreito de Hormuz, sede do quartel-general da marinha — nos dias 2 e 3 de março.
Entre as perdas está o IRINS Makran, a maior embarcação da frota iraniana, usada para transporte de drones. A empresa Vanguard confirmou também a destruição do IRIS Bayandor, do IRIS Naghdi e do IRIS Jamaran. Analistas da empresa de inteligência Maiar identificaram danos em ao menos cinco navios em Bandar Abbas e seis em Konarak, onde estruturas da base igualmente foram destruídas.
O almirante Brad Cooper, chefe do Centcom, afirmou que o Irã perturbou por décadas a navegação internacional e que, naquele momento, não havia um único navio iraniano navegando no Golfo da Arábia, no Estreito de Hormuz ou no Golfo de Omã.
Bases de mísseis, drones e Natanz sob ataque
Imagens de satélite documentaram danos nas bases de mísseis de Khorgu, no sul, e de Tabriz, no noroeste. Na base de drones de Choqa Balk-e, perto de Kermanshah, foram destruídos armazéns, bunkers e equipamentos de lançamento. Uma instalação de radar em Zahedan, no leste do país, próxima às fronteiras com Afeganistão e Paquistão, também foi atingida.
O complexo de Natanz — indicado há décadas como centro do programa nuclear iraniano — voltou a ser alvo. A Agência Internacional de Energia Atômica informou que as estruturas destruídas serviam de acesso à usina de enriquecimento subterrânea e que nenhuma consequência radiológica era esperada após os danos.
Irã mantém capacidade de guerra assimétrica no mar
Apesar das perdas, analistas alertam que o Irã conserva poder de fogo não convencional. O ex-chefe das forças armadas irlandesas, Mark Mellett, avaliou à BBC Verify que os ataques neutralizaram em grande parte a marinha convencional iraniana, mas que Teerã ainda pode recorrer a drones, minissubmarinos e navios fantasmas — petroleiros que operam fora das leis marítimas. Analistas da Maiar apontam ainda o uso de embarcações de ataque rápido com mísseis antinavios e a possível mineração do Estreito de Hormuz.
O navio atingido por torpedo norte-americano ao largo do Sri Lanka foi identificado como o IRIS Dena, um dos mais modernos da frota iraniana — ataque que resultou em 87 mortos e é considerado histórico pelo uso de submarino em combate contra um navio de guerra. Autoridades do Sri Lanka confirmaram que 140 pessoas estavam desaparecidas quando o navio foi reportado afundando em suas águas.
Em Teerã, Israel atacou o que chamou de quartel-general de segurança do regime. Imagens de satélite já haviam documentado a destruição do quartel-general da Guarda Revolucionária e do complexo presidencial em Teerã nos primeiros dias do conflito. Também foram registrados danos na Universidade Nacional de Defesa e no Ministério da Inteligência.
O conflito deixa um rastro crescente de vítimas civis. Ao menos 160 pessoas — incluindo crianças — morreram quando uma escola em Minab, no sul do Irã, foi atingida. A agência Human Rights Activists (HRANA) contabilizou 1.097 civis mortos desde o início dos bombardeios, em 28 de fevereiro.