A projeção de uma safra recorde de café para 2026 pressionou as cotações do arábica em São Paulo durante fevereiro. Segundo levantamento do Cepea-Esalq, da USP, o preço médio da saca recuou 14,3% frente a janeiro e atingiu o menor patamar desde julho do ano passado.
A média do mês ficou em R$ 1.864,51 por saca de 60 quilos — queda de R$ 311,31 em relação ao período anterior, de acordo com o Indicador Cepea/Esalq, divulgado nesta quarta-feira (4).
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, no início de fevereiro, sua primeira estimativa para a safra cafeeira de 2026: 66,2 milhões de sacas, volume 17,1% superior ao do ciclo anterior. O dado foi determinante para o recuo nas cotações domésticas do arábica, a variedade mais consumida no Brasil.
Em São Paulo, um dos principais estados produtores, a expectativa é de colheita de 5,5 milhões de sacas, impulsionada pela bienalidade positiva e pela recuperação de áreas que sofreram perdas no ciclo passado.
Queda não apaga histórico elevado
Apesar da desvalorização, o Cepea pondera que o atual patamar de negociação ainda é relativamente alto. A média de fevereiro é a terceira maior para o mês desde o início da série histórica do centro, em setembro de 1996 — atrás apenas dos registros de fevereiro de 2025 e de 1997, em valores reais.
Após um período de liquidez restrita no mercado doméstico, as negociações voltaram a aquecer na primeira quinzena de janeiro de 2026. Produtores com necessidade de capital no início do ano contribuíram para ampliar o volume comercializado, segundo agentes consultados pelo Cepea.
O movimento ganhou tração a partir de 6 de janeiro, quando contratos futuros de março/2026 registraram alta de 1.450 pontos na Bolsa de Nova York (ICE Futures). Robusta e arábica fecharam o período em torno de R$ 1,2 mil e R$ 2,2 mil por saca, respectivamente — valores considerados satisfatórios pelos produtores, segundo o centro de estudos.
Seca acende alerta para a próxima safra
Mesmo com perspectiva de colheita recorde em 2026, o setor já monitora com preocupação a safra 2026/2027. A escassez de chuvas em regiões produtoras estratégicas do Brasil preocupa agentes do mercado cafeeiro.
“Dezembro foi marcado por temperaturas elevadas e baixa umidade, condição que pode comprometer a formação dos grãos, resultando em cafés chochos”, alertou o Cepea em seu boletim mais recente.
Fertilizantes mais acessíveis ao produtor
Os cafeicultores paulistas encerraram 2025 com maior capacidade de compra de insumos. Com o arábica negociado a cerca de R$ 2,2 mil a saca em outubro, eram necessárias apenas 1,16 sacas para adquirir uma tonelada de fertilizante — bem abaixo da média histórica de 2,6 sacas, levantada pelo Cepea desde 2011.
Em outubro de 2024, essa relação era de 1,44 saca por tonelada de adubo. A melhora no poder de compra de insumos reflete as cotações elevadas que vigoraram ao longo de boa parte do ano passado e pode favorecer investimentos na lavoura para os próximos ciclos produtivos.