A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (5) a Operação Dataleaks para desarticular uma organização criminosa especializada em roubar, adulterar e comercializar dados pessoais extraídos de sistemas governamentais.
O gatilho para as investigações foi a descoberta de um banco de dados clandestino alimentado por invasões a plataformas do governo — com informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal.
A ação cumpre quatro mandados de busca e apreensão e cinco de prisão temporária, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas.
Como a quadrilha operava
Segundo a PF, a organização obtinha dados de bases oficiais e privadas por meios ilícitos, adulterava as informações e as redistribuía — alimentando o mercado negro de dados pessoais no Brasil.
A identificação de uma base paralela, abastecida por acessos não autorizados a sistemas do governo, foi o fio condutor das investigações. Nessa base constavam dados pessoais e sensíveis de integrantes do STF.
Os investigados podem responder por organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro.
O esquema tem paralelo com o revelado na Operação Compliance Zero, deflagrada dias depois, em que o grupo do banqueiro Daniel Vorcaro usava credenciais de terceiros para acessar sistemas da PF e extrair dados sigilosos de autoridades e jornalistas.
Alcance da operação
Os mandados foram expedidos pelo próprio STF — o que reforça o caráter institucional das investigações, dado que a corte é diretamente afetada pelo vazamento.
A amplitude geográfica das diligências — São Paulo, Tocantins e Alagoas — indica que a organização tinha ramificações em diferentes regiões do país, sem base operacional única.
O caso se insere em um contexto mais amplo de crimes cibernéticos voltados a dados governamentais no Brasil. A comercialização de informações sigilosas de autoridades tem ganhado escala nos últimos anos, movimentando redes que combinam invasões digitais, possível corrupção interna e lavagem dos lucros obtidos.
A PF não divulgou os nomes dos presos nem detalhes sobre a identidade da organização investigada.