A balança comercial do Brasil encerrou fevereiro com superávit de US$ 4,2 bilhões, impulsionado pelo forte crescimento das exportações de petróleo. O dado foi divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços na quinta-feira (5).
No acumulado do bimestre, o saldo positivo alcançou US$ 8,02 bilhões — resultado mais de quatro vezes superior ao registrado nos dois primeiros meses de 2025, quando o superávit somou apenas US$ 1,87 bilhão.
Petróleo lidera alta das exportações
O crescimento das exportações de petróleo em fevereiro foi puxado principalmente pelo volume embarcado. O preço do produto, na verdade, recuou no mês — mas o volume exportado mais que compensou essa queda. Em março, a dinâmica muda: a escalada do conflito no Oriente Médio empurra o barril para cima.
O salto nas exportações de petróleo não é coincidência. Com o bloqueio do Estreito de Ormuz forçando países asiáticos a buscar fornecedores alternativos, o Brasil emergiu como um dos mais bem posicionados para suprir essa demanda — exportando em média 1,6 milhão de barris por dia e tendo a China como destino de 45% do seu petróleo. Saiba mais sobre como o Brasil pode lucrar com a crise no Irã.
Tarifaço americano reduz comércio bilateral
Ainda sob efeito das tarifas impostas pelos EUA, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano recuaram 20,3% em fevereiro: de US$ 3,17 bilhões para US$ 2,52 bilhões. As importações de produtos americanos também encolheram — de US$ 3,33 bilhões para US$ 2,79 bilhões, queda de 16,5%.
Com isso, a balança comercial bilateral registrou déficit de US$ 265 milhões no segundo mês do ano. O tarifaço permaneceu vigente durante a maior parte de fevereiro, pressionando o fluxo de comércio nos dois sentidos.
Para compensar a retração no mercado americano, o Brasil ampliou as vendas para China, México, União Europeia e Oriente Médio. A diversificação de destinos foi o que sustentou o saldo positivo da balança, mesmo sob pressão das tarifas norte-americanas. Para o Mercosul, no entanto, o movimento foi contrário — o bloco registrou queda nas exportações brasileiras no período.
A expectativa de preços ainda mais altos em março tem causa definida. Após o Irã declarar o fechamento do Estreito de Ormuz em 4 de março, o barril do Brent ultrapassou US$ 82 — o que deve favorecer ainda mais os exportadores brasileiros de petróleo nas semanas seguintes. Entenda como o fechamento do Estreito de Ormuz empurrou o petróleo acima de US$ 82 e o que isso significa para o Brasil.