Economia

Petróleo dispara com Estreito de Ormuz bloqueado enquanto mercados se dividem

J.P. Morgan alerta que 3,3 milhões de barris diários podem sair do mercado se bloqueio persistir

O petróleo avançou na quinta-feira (5) impulsionado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de energia no mundo. O Brent subia 2,33%, a US$ 83,30, enquanto o WTI avançava 2,97%, a US$ 76,88.

Cerca de 300 petroleiros aguardam paralisados na região, sem condições de seguir viagem. Analistas do J.P. Morgan alertam que o bloqueio pode retirar 3,3 milhões de barris por dia do mercado em poucos dias.

Apesar das tensões, bolsas asiáticas ensaiaram recuperação após as fortes quedas da véspera, apoiadas por um pacote de estabilização de US$ 68 bilhões anunciado pela Coreia do Sul.

Abastecimento global em xeque

O fechamento do Estreito de Ormuz coloca em risco o fornecimento de petróleo para boa parte do mundo. O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já cortou quase 1,5 milhão de barris por dia — por falta de capacidade de armazenagem e dificuldades para exportar.

O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo Pérsico, declarou força maior nas exportações — mecanismo acionado quando eventos imprevisíveis impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor estimam que a produção pode levar ao menos um mês para se normalizar.

Na região, os ataques a navios continuaram na quinta-feira. O petroleiro Sonangol Namibe, de bandeira das Bahamas, reportou danos no casco após uma explosão próxima ao porto de Khor al Zubair, no Iraque, segundo a agência Reuters.

Escalada militar em múltiplas frentes

O conflito se intensificou na madrugada de quinta-feira, quando o Irã lançou nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. Na quarta-feira (4), um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, com ao menos 80 mortos. A Otan também interceptou um míssil iraniano lançado em direção à Turquia.

Tentativas em Washington para interromper os ataques americanos fracassaram na quarta, horas antes da nova ofensiva iraniana.

Ásia recupera, Europa hesita

Na Coreia do Sul, o Kospi disparou 9,63% após despencar mais de 12% na véspera. Para conter a turbulência, o presidente Lee Jae Myung ativou um fundo de estabilização de US$ 68 bilhões (cerca de R$ 356 bilhões). Em Tóquio, o Nikkei avançou 1,9%, depois de recuar 3,61% na sessão anterior. Hong Kong e Xangai subiram 0,3% e 0,6%, respectivamente.

O bom desempenho asiático foi favorecido pelo resultado de Wall Street na quarta-feira, quando indicadores econômicos acima do esperado nos Estados Unidos animaram os investidores. A China divulgou meta de crescimento entre 4,5% e 5% para 2026 — a mais baixa em cerca de três décadas.

Na Europa, o ambiente foi de cautela. Londres recuava 0,26%, Frankfurt caía 0,58%, Milão perdia 0,87% e Paris registrava baixa de 0,31% no início do pregão.

Mercados podem estar otimistas demais

Jonas Goltermann, economista da Capital Economics, alerta que os investidores podem estar subestimando os riscos. Para ele, o raciocínio de que o conflito terá impacto limitado — como ocorreu em 2025, quando ataques americanos contra instalações iranianas não geraram efeitos duradouros — pode não se sustentar desta vez.

“Esta perspectiva é otimista, levando em consideração que o conflito já se propagou para toda a região e o Estreito de Ormuz está fechado. Os mercados podem enfrentar uma grande decepção em caso de agravamento da situação”, disse o economista à France Presse.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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