Saúde

Pesquisas brasileiras buscam tornar terapia CAR-T acessível pelo SUS

INCA, Fiocruz e Einstein trabalham para reduzir custos do tratamento e ampliar acesso no sistema público

Um tratamento contra o câncer capaz de reprogramar geneticamente as células do próprio paciente para atacar tumores está sendo desenvolvido no Brasil com foco no sistema público de saúde. A terapia CAR-T, já aprovada pela Anvisa em três versões comerciais, ainda não chegou ao SUS por conta dos altos custos de produção.

Para mudar esse cenário, grupos de pesquisa do INCA, Fiocruz, Albert Einstein e Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto concentram esforços em soluções mais baratas e em transferências de tecnologia internacional.

O que é a terapia CAR-T e o que está disponível no Brasil

A terapia CAR-T é uma imunoterapia personalizada que reprograma linfócitos T do próprio paciente para identificar e destruir células cancerígenas. Por ser produzida sob medida para cada organismo, é classificada como medicina de precisão — e também como um medicamento vivo.

Três produtos já têm registro na Anvisa: o Kymriah (Novartis), indicado para leucemia linfoblástica aguda em pacientes até 25 anos e linfoma difuso de grandes células B; o Yescarta (Gilead/Kite Pharma), para linfoma difuso de grandes células B e linfoma de células do manto; e o Carvykti (Johnson & Johnson), voltado ao mieloma múltiplo recidivado ou refratário.

Apesar da aprovação regulatória, nenhum dos três está disponível no SUS. O gargalo está no custo de produção — que inclui o envio das células do paciente ao exterior para preparo e retorno ao país, modelo praticado pela indústria farmacêutica convencional.

Caminhos para baratear o tratamento

Uma das frentes mais promissoras é a substituição do vetor viral — componente caro no processo de produção — por um sistema não viral baseado em um fragmento de DNA capaz de induzir a produção da molécula CAR dentro da célula. A estratégia, em fase de documentação regulatória para apreciação da Anvisa, promete reduzir o tempo de fabricação para apenas oito dias, contra mais de um mês no processo comercial atual.

Outra linha de pesquisa envolve o desenvolvimento de novas moléculas CAR a partir de anticorpos de lhamas. Os camelídeos produzem anticorpos menores e mais simples, com vantagens biotecnológicas para fabricação. O projeto é conduzido em consórcio com a UnB, Fiocruz Ceará e Centro Pasteur-Fiocruz desde 2020, com animais criados no interior do Ceará.

Parcerias internacionais e primeiros pacientes

O INCA firmou parceria com o Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP) para transferência do know-how de produção de células CAR-T voltado ao tratamento pediátrico. Financiado pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, o projeto prevê tratar até 20 crianças com leucemia linfoblástica aguda refratária ou recidivada ao longo de três anos, em uma primeira etapa. As equipes receberão treinamento nas duas instituições.

Paralelamente, a Fiocruz firmou acordo com a organização sem fins lucrativos Caring Cross, dos Estados Unidos, para produção local de células CAR-T e vetores lentivirais. O modelo usa contêineres customizados como salas limpas instaladas próximas aos centros de tratamento — uma solução que pode ser replicada em outras cidades do Brasil.

Nessa parceria entre INCA e Fiocruz, os primeiros pacientes adultos com cânceres hematológicos devem receber o tratamento entre o final de 2026 e início de 2027. O arranjo combina a capacidade produtiva da Fiocruz com a expertise oncológica do INCA, com previsão de expandir o atendimento para pacientes indicados por outras instituições de saúde.

As pesquisas contam com financiamento do Ministério da Saúde (Decit), CNPq, Faperj, INCA, Inova-Fiocruz e Centro Pasteur-Fiocruz.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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