Política

Medida protetiva não impediu morte de 148 mulheres em 2024, aponta pesquisa

Relatório do Fórum de Segurança Pública expõe falha do Executivo na fiscalização das ordens judiciais

Em 2024, 148 mulheres foram assassinadas no Brasil mesmo tendo medida protetiva de urgência vigente — 13,1% dos 1.127 feminicídios registrados em 16 estados, segundo a pesquisa Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 4 de março.

Os dados evidenciam uma falha sistêmica: a proteção existe no papel, mas raramente se efetiva na prática. Para a diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, o problema não está na lei — está na omissão do Poder Executivo.

A pesquisa abrange 16 unidades da federação porque muitas polícias ainda não conseguem extrair essa informação de forma automatizada, e o país carece de um banco de dados padronizado nacional. Mesmo assim, os números revelam disparidades alarmantes entre os estados.

Entre as unidades analisadas, Acre (25%), Mato Grosso (22,2%) e São Paulo (21,7%) superam a média nacional — em pelo menos um a cada cinco feminicídios nesses estados, a vítima já tinha proteção judicial ativa no momento do crime.

Por que a medida protetiva falha

Segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma MPU só tem eficácia real quando dois procedimentos ocorrem em paralelo: a comunicação formal ao agressor e o aviso às forças de segurança.

O agressor precisa ser notificado por um oficial de justiça sobre as restrições impostas. Sem essa etapa, a medida pode ser considerada inválida — pois ele pode alegar desconhecimento da própria ordem judicial.

A ausência de integração entre o Judiciário e as forças de segurança transforma a decisão em letra morta. Segundo a diretora, é precisamente nesse ponto que o sistema falha com maior frequência — e onde o Executivo mais se omite.

O que funciona: patrulhas e vínculo comunitário

A resposta, segundo Samira, passa pelo fortalecimento de unidades especializadas nas polícias militares e guardas municipais — como a Patrulha Maria da Penha e a Ronda Maria da Penha. Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul são citados como referências por manterem equipes que monitoram ativamente o cumprimento das medidas.

A diretora critica o uso exclusivo de tornozeleiras eletrônicas. A tecnologia pode auxiliar, mas não deve ser a política em si: a mulher precisa de acolhimento humano e canais diretos de comunicação — como grupos de WhatsApp comunitários. O vínculo pessoal, segundo ela, é insubstituível.

Casos que evidenciam a falha

Em 21 de fevereiro, em Botucatu (SP), Júlia Gabriela Bravin Trovão havia registrado dez boletins de ocorrência e obtido três medidas protetivas contra o ex-companheiro — mesmo assim, foi morta a tiros junto ao namorado. Em São Bernardo do Campo, Cibelle Monteiro Alves foi assassinada a facadas pelo ex-namorado dentro de uma joalheria de shopping, também com medida protetiva vigente.

Os dois episódios reforçam a conclusão do Fórum: sem fiscalização real e contínua, a ordem judicial não salva vidas.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Irã lança 2 mil drones suicidas e cria caos no Oriente Médio

Uma semana de guerra: morte de Khamenei desencadeia retaliação iraniana em cadeia

Trump reúne aliados latino-americanos em Doral e deixa Lula de fora

Petróleo dispara 30% em uma semana com guerra no Oriente Médio