Reino Unido, França, Grécia e Espanha despacharam equipamentos militares para a costa do Chipre após a ilha ser alvo de drones de ataque, incluindo um artefato iraniano Shahed que atingiu uma base britânica no território cipriota.
A mobilização acelerou o racha dentro da Europa: enquanto alguns governos abrem suas bases aéreas aos EUA para missões defensivas, outros exigem limites — e há quem condene abertamente os bombardeios norte-americanos e israelenses contra o Irã.
Chipre no centro da tensão mediterrânea
O Chipre, membro da União Europeia mas fora da Otan, tornou-se ponto crítico do conflito. Além da base britânica atingida, drones foram interceptados próximo ao aeroporto internacional do país. A ameaça levou quatro nações europeias a mobilizar equipamentos para a região. A Alemanha declarou estar “pronta” para auxiliar na defesa cipriota, sem confirmação de envio até o momento.
No Golfo Pérsico, a França enviou caças Rafale aos Emirados Árabes Unidos para reforço da defesa aérea. O premier britânico Keir Starmer anunciou o envio de quatro jatos Typhoon ao Catar, com o mesmo objetivo de conter os mísseis e drones iranianos que têm atingido a região.
Bases americanas: onde cada país traçou a linha
A questão das instalações dos EUA em solo europeu expôs as fissuras do continente. A Espanha vetou o uso das duas bases norte-americanas em seu território — estrategicamente posicionadas perto do Estreito de Gibraltar — para operações contra o Irã. A recusa gerou crise diplomática imediata: Trump ameaçou romper relações comerciais com Madri, enquanto o premier Pedro Sanchez respondeu afirmando que o presidente americano está “brincando de roleta russa”.
Após a troca de farpas, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a Espanha “concordou em cooperar” com os EUA — sem detalhar os termos. Aeronaves norte-americanas foram vistas deixando o país logo na sequência.
O Reino Unido autorizou o uso de suas bases, mas exclusivamente para missões defensivas, não para atacar o Irã. Trump criticou a postura britânica; Starmer garantiu que as relações com Washington seguem normais e que “não cederá a pressões externas”.
A França seguiu a mesma linha, liberando suas bases após receber “garantias totais” dos EUA de que as operações seriam apenas defensivas. O governo francês também confirmou que duas de suas bases militares no Oriente Médio foram alvo de ataques recentes.
Frente diplomática: acordos e condenações
Os europeus convergiram no repúdio aos ataques do Irã contra países do Golfo Pérsico — mísseis e drones que Teerã afirma mirar em bases americanas, mas que também atingem estruturas civis. Em comunicado conjunto, França, Alemanha e Reino Unido exigiram que o Irã desmantele seus programas nuclear e de mísseis balísticos, afirmando estar em contato próximo com EUA, Israel e parceiros regionais.
A Irlanda adotou postura mais moderada: defende que o Irã não deve ter armas nucleares, mas sustenta que esse objetivo precisa ser alcançado por negociação diplomática, não por pressão militar.
A linha mais crítica às potências ocidentais veio de Itália, Espanha e da própria União Europeia. O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, declarou que os bombardeios norte-americanos e israelenses “com certeza violaram a lei internacional”. A Espanha “rechaçou a ação militar unilateral dos EUA e de Israel”, e a UE pediu respeito à Carta da ONU por todas as partes do conflito.
O padrão que emerge do continente é de uma Europa que quer aparecer ao lado dos aliados sem endossar os meios utilizados — cada governo calibrando sua posição entre a pressão americana, a opinião pública doméstica e os princípios do direito internacional.