Um deslizamento de terra provocado por fortes chuvas matou mais de 200 pessoas na mina de coltan de Rubaya, no leste da República Democrática do Congo, na última terça-feira (3). Cerca de 70 das vítimas eram crianças.
O Ministério de Minas congolês divulgou o balanço na quarta-feira (4), com cifra superior à informada pelo M23, grupo rebelde que controla a região desde 2024.
Rubaya responde por cerca de 15% do abastecimento mundial de coltan, mistura de columbita e tantalita essencial para a indústria de alta tecnologia.
O material é processado para extração de tântalo — metal resistente ao calor presente em celulares, computadores, componentes aeroespaciais e turbinas a gás — e de nióbio, também empregado em setores de ponta, embora menos estratégico por ter substitutos como o titânio.
Na mina, moradores extraem o material manualmente por alguns dólares por dia, em condições precárias sob o domínio dos rebeldes.
Controle rebelde e acusações de saque
O M23, que declarou como objetivo derrubar o governo central de Kinshasa e garantir a segurança da minoria tutsi congolesa, assumiu o controle de Rubaya em 2024.
A ONU afirma que o grupo saqueou as riquezas da região para financiar sua insurgência. Analistas apontam apoio clandestino de Ruanda ao M23 — alegação que o governo de Kigali nega.
Em 2025, os rebeldes avançaram rapidamente sobre novos territórios ricos em minerais no leste do país, ampliando o controle sobre recursos estratégicos da região.
A divergência nos números de mortos entre o governo congolês e o M23 expõe a tensão de soberania que marca a região: as autoridades rebeldes forneceram balanço inferior ao registrado pelo Ministério de Minas, em Kinshasa.
O desastre reacende o debate sobre as condições de trabalho nas minas artesanais do Congo, onde populações vulneráveis — incluindo crianças — extraem minerais críticos para a cadeia global de tecnologia sem proteção ou regulação adequada.
Coltan e a disputa por minerais estratégicos
O coltan tornou-se um dos recursos mais disputados do século 21, com demanda crescente impulsionada pela expansão de dispositivos eletrônicos e pela transição energética. A concentração da produção no Congo torna a estabilidade da região essencial para fabricantes globais de tecnologia.
O conflito armado contínuo no leste congolês, associado à mineração sem fiscalização adequada, coloca em xeque tanto a segurança das comunidades locais quanto a rastreabilidade das cadeias de suprimento internacionais.